Renuncia o vice do Peru
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domingo, 01 de fevereiro de 2004
France Presse 
Lima O primeiro-vice-presidente peruano, Raúl Diez Canseco, anunciou sua demissão de caráter irrevogável, sexta-feira, em uma carta dirigida ao presidente Alejandro Toledo, em meio ao escândalo político que afeta o governo. ''Decidi renunciar irrevogavelmente à primeira-vice-presidência da República'', disse Diez Canseco, ao ler o conteúdo da carta para a imprensa em seu gabinete, após uma reunião de mais de uma hora com Toledo.
O vice-presidente se afasta do governo no momento mais crítico dos 30 meses de gestão de Toledo, abalado pelo escândalo envolvendo seu ex-chefe de inteligência César Almeyda por negociar por baixo do pano um acordo com o corrupto ''tesoureiro'' Vladimiro Montesinos, ex-homem forte do Peru.
A renúncia de Canseco é um golpe para Toledo no momento em que a aliança governamental se deteriora, sua popularidade cai para 10% e crescem as exigências da oposição por eleições antecipadas.
As pesquisas também mostram que mais de 90% dos habitantes de Lima estão de acordo com a antecipação das eleições previstas para 2006.
Alguns políticos ainda criticam Toledo por falta de liderança, o que lhe teria obrigado a formar quatro gabinetes ministeriais em apenas 30 meses de governo.
Em sua carta de renúncia, Canseco se queixa da atitude da maioria governista de acusá-lo de tráfico de influências no Congresso, alegando que o objetivo é enterrá-lo politicamente. ''Com o objetivo de esclarecer os fatos sem que eu seja mal interpretado, decidi renunciar irrevogavelmente à primeira-vice-presidência por considerar o honroso cargo que o povo me confiou'', declarou, no texto.
As investigações no Congresso destacam que Diez Canseco livrou o pai da amante de impostos, sendo que ele já tinha uma enorme dívida com a Superintendência Nacional de Administração Tributária.


