Renuncia o primeiro-ministro japonês
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Reuters 
Humilhado nas urnas pelos eleitores, o primeiro-ministro do Japão, Ryutaro Hashimoto, anunciou ontem sua renúncia. Ele disse que ficará no cargo até o dia 30 para que seu sucessor seja escolhido. A renúncia ocorreu depois que seu Partido Liberal Democrático (PLD) perdeu 17 cadeiras nas eleições de domingo para a Câmara Alta do Parlamento (Senado).
Sou o responsável por tudo o que aconteceu e minha capacidade não é suficiente, disse Hashimoto em um discurso pela tevê, com os olhos vermelhos e uma expressão deprimida e cansada pelas duas semanas de campanha.
O anúncio - que encerrou os dois anos e meio de governo de Hashimoto - desencadeou manobras entre a liderança do PLD por um sucessor. A escolha deverá ser complicada pelos oposicionistas encorajados com o resultado das eleições no Senado.
A disputa política ocorre enquanto o Japão luta contra sua pior recessão desde a 2ª Guerra Mundial. Alguns temem que essas manobras possam atrapalhar a resolução do problema econômico.
Os candidatos favoritos à sucessão de Hashimoto são Keizo Obuchi, ministro de Relações Exteriores, e Seiroku Kajiyama, ex-chefe de gabinete - nenhum visto como um especialista econômico. O PLD espera escolher um deles até o dia 21, mas o Parlamento deve aprovar a nomeação somente depois do dia 26. A incerteza sobre a situação política no Japão refletiu ontem no mercado.
Os liberais-democratas, conservadores e pró-empresariado, continuarão governando apesar de não terem conquistado a maioria na Câmara Alta (Senado), pois têm firme controle sobre a Câmara Baixa do Parlamento, a mais poderosa, que pode aprovar o orçamento e escolher o primeiro-ministro sem a aprovação da Câmara Alta. Para obter a maioria no Senado, perdida em 1989, o PLD necessitava conquistar 69 cadeiras, das 126 em disputa. O partido tem agora 102 das 252 cadeiras.
O PLD necessitará da cooperação de outros partidos para aprovar importantes projetos de leis. Aparentemente isso não será fácil, pois os partidos de oposição já pediram a dissolução do Senado e a convocação de eleições gerais. Deles dependerá de como serão conduzidos os planos de reforma econômica do Japão.
Os que saíram fortalecidos com as eleições de domingo foram os democratas-liberais. O Partido Democrata é relativamente novo e é liderado pelo popular ministro da Saúde, Naoto Kan, que prometeu reduzir os impostos durante a campanha. Os democratas obtiveram 27 cadeiras, 9 a mais que nas últimas eleições, e agora detêm 47 no Senado.


