'Renúncia foi ato de humildade e coragem'
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - O Arcebispo de Londrina Dom Orlando Brandes afirmou que a decisão do Papa Bento 16 de renunciar ao cargo foi um grande ato de humildade, coragem e simplicidade. "Reconhecer suas próprias limitações mostrou que o papa teve muita coragem e consciência na sua decisão. Foi uma manifestação de responsabilidade, zelo e carinho pela Igreja."
Em entrevista coletiva concedida ontem à tarde, Dom Orlando explicou que a renúncia é uma situação normal e que faz parte da legislação da Igreja. O arcebispo ressaltou que Bento 16 já havia falado sobre renúncia no livro "Luz do Mundo", de 2010, que foi escrito a partir de um diálogo com o jornalista alemão Peter Seewald.
"Perguntado sobre a possibilidade de renunciar, o papa respondeu que se pode abdicar do cargo quando não se pode mais. Bento prosseguiu dizendo que é um direito do papa e também um dever renunciar quando não há mais condições físicas, psicológicas e espirituais para continuar", colocou Dom Orlando.
Para o arcebispo de Londrina, apesar de ter enfrentado um período com muitos encargos no Vaticano e assuntos polêmicos como o casamento de pessoas do mesmo sexo, fidelidade no matrimônio, pedofilia, gravidez responsável, a renúncia de Bento XVI se deu apenas pela saúde fragilizada. "Não foi à toa que o papa escolheu o Dia Mundial dos Doentes e o Dia de Nossa Senhora de Lourdes para anunciar a sua renúncia. Foi uma decisão consciente de quem se conhece", ressaltou. Dom Orlando visitou Bento 16 há um ano em Roma. "Não percebi nenhum problema de saúde, mas sim o peso da idade."
"Não faltou fé ao papa, muito pelo contrário. A fé dele foi muito forte. Por amor à Igreja, por querer o melhor, ele abdicou do cargo para alguém que possa estar em melhores condições de saúde para dar sequência ao trabalho", colocou.
Para Dom Orlando, o pontificado de Bento 16 foi abençoado e ficou marcado por manter uma linha firme na liturgia da Igreja e pelo discurso profundo. "Bento 16 recebeu mais gente no Vaticano que João Paulo 2º. Ele tinha uma atração catequética. As pessoas gostavam e queriam ouvi-lo. O seu discurso era profundo, mas simples", colocou o arcebispo.


