Renúncia de Mesa foi assunto da OEA
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terça-feira, 07 de junho de 2005
France Presse 
Fort Lauderdale (EUA) - A renúncia do presidente boliviano, Carlos Mesa, esteve no centro das atenções ontem, no último dia da Assembléia Geral da OEA, gerando duras acusações trocadas entre Estados Unidos e Venezuela, depois da ''preocupação'' demonstrada por Washington sobre o ''papel'' representado por Hugo Chávez no país andino. Um dos objetivos da reunião era chegar a um acordo sobre um sistema para prevenir crises de governabilidade no hemisfério.
''O papel do presidente Chávez nos acontecimentos na Bolívia é óbvio para todo mundo'', declarou o representante da diplomacia dos Estados Unidos para a América Latina, Roger Noriega, paralelamente à reunião de cúpula da OEA, em Fort Lauderdale (Florida, sudeste). ''Isso é realmente preocupante'', advertiu o diplomata dos Estados Unidos, país que mantém tensas relações com o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, apresentado pela secretária de Estado, Condoleezza Rice, como ''a força negativa'' da América Latina.
O chanceler venezuelano, Alí Rodríguez, pediu a Noriega para apresentar provas do suposto papel de Chavez na desestabilização da Bolívia e disse que Noriega tenta ''jogar lenha na fogueira'' e ''impedir qualquer possibilidade de a Venezuela manter uma boa relação com os Estados Unidos''.
O chanceler boliviano, Juan Ignacio Siles, declarou que seu país precisa de uma resolução de apoio da OEA à ''pessoa que, por sucessão constitucional, assumir a presidência da República''. O presidente do Senado, Hormando Vaca Diez, é o primeiro na linha sucessória, seguido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Mario Cossío, e o presidente da Corte Suprema, Eduardo Rodríguez. Este último é o único com poder para antecipar as eleições.
Um grupo de 11 países, entre eles Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Bolívia, propôs uma resolução na qual os países pediriam ''assistência'' à organização quando enfrentassem uma crise de governabilidade. No final da tarde, a Assembléia Geral da OEA aprovou, por aclamação, uma resolução que pede aos bolivianos respeitarem a ordem constitucional, a democracia e a unidade do país, ao mesmo tempo em que se colocou à disposição para ''facilitar o diálogo''.


