Havana - Os principais dirigentes da oposição interna, e ilegal, em Cuba reagiram entre a apatia e a esperança de mudanças diante da renúncia de Fidel Castro, anunciada ontem.
''Acho que ele fez o que era mais sensato, pode ser que esteja entrando um pouco de razão e lógica no governo cubano. De qualquer maneira, em um ano e meio sem Fidel, não houve mudanças e agora também não vai haver mudanças'', declarou Vladimiro Roca, porta-voz do movimento Todos Unidos.
O opositor democrata-cristão Oswaldo Payá, Prêmio Sakharov-2002 do Parlamento Europeu, disse que o anúncio de Fidel ''é algo de muita importância, muita transcendência e se deve pensar no povo''.
Miami - Cubanos que moram em Miami celebraram ontem nas ruas de Pequena Havana a renúncia de Fidel, enquanto as festividades se concentravam no café Versailles da rua Oito, considerada a ''capital do exílio'' nesta cidade.
A notícia provocou imediatas mostras de alegria neste populoso bairro de Miami, onde se concentram os mais antigos exilados de Cuba. Desde as primeiras horas da manhã, muitos opositores saíram às ruas e alguns comemoraram tocando buzinas de carro.
Alberto Hernández, com um característico chapéu branco um charuto apagado na boca, saiu de casa mais cedo do que o normal depois de receber a notícia. ''Não podia dormir depois que um amigo me avisou; para muitos é como o final do diabo, vivemos mais tranquilos'', disse.
Um vendedor de bijuterias que oferecia colares com as cores da bandeira cubana se instalou no Café Versailles para comemorar ''esse dia histórico'' e aproveitar para vender.
Para Ibrahim Reyes, que se exilou nos Estados Unidos há 40 anos, não há uma mudança visível com a renúncia de Fidel. ''Temos que pensar em uma coisa, hoje as pessoas de Cuba vão querer sair para festejar, mas não irão para as ruas, para não serem presos; nada mudou'', disse. (F.P.)

mockup