Renda mundial está nas mãos de poucos
Rita Tavares
Agência Estado
De Washington
Apenas um sexto da população mundial, principalmente os habitantes da América do Norte, Europa e Japão, detém quase 80% da renda mundial. Trata-se de uma renda média diária de US$ 70, em valores de 1998.
Ao mesmo tempo, 57% da população mundial, que estão nos 63 países mais pobres do planeta, detêm apenas 6% da renda, o que significa uma renda média diária de menos de US$ 2.
Os números sobre a distribuição da renda fazem parte do World Development Indicators 2000, o relatório anual do Banco Mundial com indicadores sociais, divulgado na semana que passou.
Mudanças nesse cenário de desigualdade não são prováveis, segundo o banco, já que, enquanto a pobreza diminui em alguns países, como a China, aumenta em outros, principalmente na África, onde o número de pessoas que vive em extrema pobreza está aumentando. Assim, apesar dos esforços no combate à pobreza, a percentagem da população mundial que vive nessas condições é alta.
Ao redor do mundo, 1,2 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia. Este número, segundo o Banco Mundial, é constante no período 1987 e 1998 - o último pesquisado pela instituição.
Mas, em função do crescimento mundial nos últimos anos, a percentagem de pessoas em extrema pobreza caiu de 28% para 24%, segundo a instituição.
No relatório, o Banco Mundial que alguns países fizeram avanços significativos no combate à pobreza. Na Ásia Oriental, o número caiu muito, pelo avanço conquistado pela China. No Sul da Ásia, em contrapartida, o número cresceu.
A redução da mortalidade infantil, um indicador social importante para medir avanços no combate à pobreza, foi conseguida por 17 países em desenvolvimento. Esses países, de acordo com a avaliação do Banco Mundial, deverão conseguir cumprir a meta de reduzir em dois-terços seus indicadores de mortes de crianças até o ano de 2015. Simultaneamente, o desempenho de outros 13 países em desenvolvimento, sendo a maioria deles na África, piorou.
O Banco Mundial apontou que a renda nacional per capita dos dois mais populosos do mundo, China e Índia, aumentou em 1998. Os chineses tiveram um crescimento de 6,4%, enquanto os indianos, de 4,3%. Segundo o banco, os dois países devem ter um crescimento semelhante em 1999.
Ao longo do período entre os anos de 1990 e 1998, a região que teve o maior crescimento da renda per capita foi a da Ásia Oriental e do Pacífico, com 6,4%. Em seguida, veio a região do Sul da Ásia que teve um crescimento de 3,8%. A América Latina e o Caribe, que formam um mesma região pelos critérios da instituição, tiveram um aumento de 1,8%.Um sexto da população do mundo detém 80% da riqueza e 57% têm apenas 6%, segundo relatório do Banco Mundial divulgado na semana passada
Arquivo FolhaTRISTE CENÁRIONão se prevê mudanças: enquanto a pobreza diminui em países como a China, aumenta na África





