A indústria farmacêutica ficou sendo a grande vilã da 13ª Conferência Internacional de Aids, na África do Sul, por causa do alto preço dos remédios contra a doença. Essas drogas rendem às empresas multinacionais de saúde US$ 400 bilhões de dólares anuais, mais do que o orçamento de diversos países em desenvolvimento.
As vendas para a África, onde vivem mais de 70% dos 34,3 milhões de portadores do vírus da Aids, representam apenas 1,3% do faturamento das empresas, ou US$ 3,5 bilhões de acordo com as cifras do professor Richard Laing, da Universidade de Boston. Ainda de acordo com o professor, os remédios contra Aids rendem US$ 100 bilhões na Europa e US$ 169 bilhões na América do Norte.
As empresas farmacêuticas justificam o alto preço das drogas pelos seus gastos em pesquisa e desenvolvimento, mas não aplicam uma grande proporção da sua renda nesse campo. A Merck, que no ano passado faturou US$ 32 bilhões, gastou 6,3% deles em pesquisa e desenvolvimento. A Novartis, com faturamento equivalente, gastou duas vezes mais no campo, 13,1%, segundo dados do governo americano.
Ainda de acordo com os dados oficiais, as empresas que mais investiram em pesquisa foram a Biogen (35,6% do faturamento), Genetech (35%) e Amgen (27%). Na quarta-feira, Brazil, Thailandia e Índia se ofereceram para fornecer equivalentes dos remédios, a baixo custo, para países em desenvolvimento.

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