GENEBRA - A falsificação de medicamentos, que na África mata mais que o vírus Ebola, preocupa a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Federação Internacional da Indústria de Medicamentos, ambas com sede em Genebra. Enquanto a OMS mantém atualizadas as estatísticas sobre o tema, a Federação investiga o tráfico estimado em 8 bilhões de dólares e que dá um prejuízo anual de 17 bilhões aos grandes laboratórios farmacêuticos mundiais.
Martin Ten Ham, representante da unidade ‘‘segurança dos medicamentos’’ da agência especializada da ONU, mostra-se pessimista sobre as possibilidades de erradicar este problema que afeta sobretudo os países pobres.
Desde 1988, este médico holandês contabilizou 700 casos de falsificações, recolhidas a partir de informações da imprensa, de laboratórios e de funcionários da saúde, ‘‘geralmente muito discretos’’.
O médico dá exemplos como o da morte de centenas de crianças em 1990 na Nigéria. Elas tomaram um xarope que continha um solvente industrial, o dietileno glicol em lugar de propileno glicol. Também na Nigéria um colírio estava misturado com água não esterilizada. Em Burquina comprimidos de aspirina continham talco, e em outros casos cal ou farinha.
Em 1995, uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras encontrou falsas vacinas contra a meningite em Niger. As vacinas vindas da Nigéria, imitavam as embalagens de dois grandes laboratórios, mas seu conteúdo estava abaixo da dose necessária.

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