O exemplo de tolerância entre as religiões pregado pelo Papa João Paulo II foi relembrado ontem durante oração na Mesquita Muçulmana Rei Faiçal. No início da tarde, o arcebispo de Londrina, d. Albano Cavallin se uniu ao grupo de muçulmanos para juntos orarem pela memória do pontífice morto. À noite, católicos participaram da celebração da missa de 7º dia na Catedral Metropolitana.
Em entrevista à Folha, d. Albano considerou grandes as chances de algum dos cardeais latino-americanos ser eleito como o novo comandante da Igreja no terceiro milênio. O arcebispo comentou que ''seguia o exemplo do Papa'' ao participar pela primeira vez da oração realizada pelos muçulmanos. ''Ele foi um homem do diálogo e os alicerces que ergueu foram postos de maneira muito firme'', disse.
Com relação aos novos rumos que devem tomar a religião católica, ele afirmou que o sucessor de João Paulo terá de buscar respostas para as novas questões como as pesquisas com células-tronco embrionárias, os métodos contraceptivos e a eutanásia. ''A modernidade vai ser um grandessíssimo desafio'', disse d. Albano, completando que só poderá ser superado através do diálogo.
Sobre as chances do cardeal brasileiro Cláudio Hummes ser eleito, o arcebispo de Londrina aposta que as chances são reais. Caso isso não aconteça, continuou, os que teriam mais chances seriam um outro latino-americano ou um africano. ''A Igreja já está madura o suficiente para sair dos moldes europeus'', concluiu.
Para o sheik Yamani Abdul Nor Muhammed, o encontro de ontem foi mais um passo importante para dar continuação a todo o esforço realizado pelo Papa rumo à tolerância e à capacidade de entender as pessoas. As relações entre os líderes locais das duas religiões são bastante amistosas. Durante a semana, membros da mesquita visitaram d. Albano na Cúria Metropolitana.
''O mais importante é a fé, independente da religião. Hoje vemos no poder pessoas que utilizam a palavra de Deus e a religião em benefício próprio'', ensinou o líder dos muçulmanos em Londrina. Para o sheik, o papa deixou um legado à toda humanidade que é a luta pelo respeito às diferenças religiosas, à paz no mundo e a união entre os povos.

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