RELIGIÃO - Vaticano reafirma exigência de celibato para os padres
O Papa Bento XVI reafirmou na semana passada a exigência do celibato sacerdotal. A exigência foi reafirmada em uma reunião com os cardeais do Dicastério da Cúria Romana, convocados para examinar as conseqüências da excomunhão de d. Emanuel Milingo, arcebispo emérito (aposentado) de Lusaka, em Zâmbia, punido em setembro por ter ordenado quatro bispos à revelia de Roma.
O Dicastério é o conjunto das nove Congregações Romanas, entre as quais a Congregação para o Clero, cujo prefeito é o brasileiro d. Cláudio Hummes, nomeado há duas semanas para o cargo. O valor da escolha do celibato sacerdotal foi reafirmado segundo a tradição católica e salientou-se a exigência de uma sólida formação humana e cristã tanto para os seminaristas como para os sacerdotes já ordenados.
A reafirmação do celibato obrigatório é uma resposta direta e definitiva às reivindicações de Milingo, de 76 anos, que em 2001 desafiou o Vaticano ao se casar com a médica sul-coreana Maria Sung. Recentemente, ele escreveu ao Papa sugerindo que padres casados fossem readmitidos ao exercício do sacerdócio. Em defesa dessa reivindicação, Milingo fundou nos Estados Unidos a associação Married Priests Now (Padres Casados Já), cujos membros continuam celebrando missas e administrando os sacramentos, apesar da condenação de Roma.
Milingo foi confinado num convento nos arredores de Roma, depois de uma audiência com João Paulo II, na qual ele concordou em se separar de Maria Sung. A aceitação desse retiro imposto pelo papa seria uma demonstração de que o arcebispo se penitenciava por seu pecado e se curvava às normas do Direito Canônico. Posteriormente, Milingo abandonou o convento, desapareceu por alguns meses e mais tarde voltou à cena em Washington à frente do seu movimento em defesa dos padres casados. Além de pregar o fim do celibato, Milingo incomodou o Vaticano com a prática indiscriminada do exorcismo para a expulsão de demônios.
O celibato é o estado de uma pessoa solteira, sexualmente abstinente, que fez voto de castidade. Tal voto é exigido pela Igreja Católica a todas as hierarquias sacerdotais, incluindo padres e freiras. A Igreja Católica costuma justificar sua atitude como um ato de fé baseado na vida de Jesus Cristo, que, de acordo com ela, teria sido solteiro. No entanto, afirmam historiadores que a prática foi implementada apenas após o final do primeiro milênio ou seja, na Idade Média, para evitar que a Igreja perdesse posses em eventuais disputas de herança.
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