Relatórios denunciam mortes de civis em ataques de drones
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quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Folhapress 
São Paulo - Dois relatórios publicados ontem por organizações não governamentais (ONGs) de defesa dos direitos humanos cobram que os Estados Unidos acabem com o sigilo sobre os ataques executados com aviões teleguiados (drones) no Paquistão e no Iêmen e julguem os responsáveis.
A publicação de relatórios da Anistia Internacional (AI) e da Human Rights Watch (HRW) ocorreu na véspera da reunião em Washington entre o presidente Barack Obama e Nawaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, o país mais afetado pelos disparos de drones, seguido pelo Iêmen.
Sharif declarou que "gostaria de insistir na necessidade de se pôr um fim aos ataques com drones" durante um discurso no Instituto para a Paz. A Casa Branca negou que os ataques violem leis internacionais. "As operações de contraterrorismo dos EUA são precisas, legais e eficazes", disse o porta-voz Jay Carney. Desde 2004, entre 2 mil e 4,7 mil pessoas, incluindo centenas de civis, segundo diferentes avaliações, morreram em quase 300 ataques de drones americanos nas zonas tribais do noroeste do Paquistão, principal reduto dos talibãs e de outros grupos vinculados à Al Qaeda na fronteira com o Afeganistão.
Em um relatório de 60 páginas, a Anistia Internacional pede que os Estados Unidos divulguem as informações sobre estes ataques para saber se respeitam o direito internacional, o que poderia ser o caso, por exemplo, se estivessem destinados a neutralizar uma ameaça iminente para Washington. Já o relatório da Human Rights Watch, de 102 páginas, examina seis ataques com drones no Iêmen, um em 2009 e os demais de 2012 e 2013, e denuncia que dois desses ataques mataram civis de forma indiscriminada. Segundo a BBC, os seis ataques mataram 82 pessoas, sendo pelo menos 57 civis.
"O sigilo que cerca o programa dos drones concede ao governo americano um direito de matar superior aos tribunais e às normas fundamentais do direito internacional", afirma em um comunicado Mustafa Qadri, analista da Anistia Internacional no Paquistão. "As autoridades americanas devem abrir seu programa de aviões teleguiados a uma análise (pública) independente e imparcial", acrescenta a organização em seu relatório.


