Relatório sobre a morte de Jean Charles em Londres foi alterado
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quarta-feira, 01 de agosto de 2007
France Presse 
Londres- O relatório sobre a morte de Jean Charles de Menezes, confundido pela polícia britânica com um terrorista, foi alterado por ameaças de ações legais feitas por policiais criticados no documento, confirmou nesta quarta-feira a comissão de investigação policial.
A Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC) informou que divulgará hoje o informe sobre a morte por engano do eletricista de 27 anos, ocorrida no dia 22 de julho de 2005, um dia depois de uma tentativa frustrada de ataque com bomba e poucas semanas depois dos ataques em Londres que deixaram 52 mortos e mais de 700 feridos.
Porém, oficiais da polícia que eram criticados no documento ameaçaram apresentar uma ação legal, o que levou a comissão a fazer alterações, confirmou a IPCC.
O jornal The Guardian informou ontem que os policiais criticados no informe haviam iniciado um pedido de revisão judicial sob a alegação de que a IPCC havia violado regras de procedimento ao tomar seus depoimentos.
A decisão da IPCC de alterar o documento intensificará as críticas à comissão a respeito da maneira como elaborou o relatório e sobre o tempo - 20 meses - que levou para divulgar suas conclusões.
Além disso, a Scotland Yard está ao que parece indignada, segundo fontes anônimas, com o informe, que voltará suas críticas para Andy Hayman, o diretor antiterrorista e de inteligência da Polícia britânica.
Segundo o The Guardian, Hayman será acusado de ter enganado deliberadamente a opinião pública, em suas revelações faitas no dia 22 de julho de 2006, dia em que a Polícia matou Jean Charles na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres.
O jornal destaca que imediatamente depois da morte do brasileiro, na estação de metrô de Stockwell, fontes não identificadas disseram que havia rumores não confirmados de que o homem assassinado não era um dos quatro suspeitos de terrorismo investigados pela polícia, acrescentou o ''Guardian''.
O documento da IPCC criticará Hayman por não ter passado esta informação para o chefe de polícia, Ian Blair, em uma reunião que ambos tiveram às 18h do dia em que o brasileiro foi assassinado. Blair foi informado apenas no dia seguinte de que Jean Charles era totalmente inocente.
De acordo com ''The Guardian'', o informe não contém críticas severas a Ian Blair, o comissário da Polícia Metropolitana de Londres.
O jornal britânico revelou ainda que o informe já gerou críticas e algumas fontes não identificadas destacaram as difíceis circunstâncias para os oficiais envolvidos.
Um porta-voz da campanha Justice4Jean declarou nesta quarta-feira que espera que o relatório da IPCC responda às interrogações sobre as circunstâncias em torno da morte de um inocente.
''Esperamos que a IPCC divulgue uma investigação séria sobre as mentiras e informações falsas que a Polícia forneceu após o assassinato de Jean Charles, e esperamos que os culpados respondam na justiça por seus atos'', declarou o porta-voz.


