Monica Yanakiew
Agência Estado
Até pouco tempo, ninguém falava em Joerg Haider nem no seu Partido da Liberdade, cuja participação no governo austríaco divide a Europa, preocupa os Estados Unidos e tem ocupado as primeiras páginas de jornais do mundo inteiro. Mas há uma década, seu nome e suas atividades já estavam sendo investigadas por uma comissão de inquérito do Parlamento Europeu.
O resultado – um relatório de 200 páginas intitulado Racismo e Xenofobia – mostrava o preocupante avanço da extrema direita numa Europa unida e próspera, que ainda não esquecera a herança de ódio e destruição da 2ª Guerra Mundial. O documento denunciava o crescimento do poder político de grupos racistas; sua infiltração em instituições como as Forças Armadas, a polícia e a Justiça; e suas conexões internacionais.
Militantes da Ku Klux Klan, que perseguiam negros nos EUA, por exemplo, foram filmados numa reunião de neonazistas na Alemanha. Mas a extrema direita também estava e continua presente no Parlamento Europeu, cujos 626 deputados representam os 15 países da União Européia (UE).
‘‘Temos entre 22 e 30 representantes da extrema direita’’, disse o eurodeputado Glyn Ford, da Grã-Bretanha, que foi relator da CPI sobre racismo e xenofobia na Europa. Cinco deles são do Partido da Liberdade da Áustria, que uma década atrás nem sequer pertencia à UE.
Numa entrevista por telefone, Ford (um dos políticos europeus que mais pressão está exercendo contra a Áustria) lembrou os resultados da investigação que conduziu em 1990. ‘‘Criamos um Centro Europeu de Monitoramento de Racismo e Xenofobia, há dois anos’’, disse. ‘‘Mas a sede, por ironia, fica justamente em Viena.’’
Em 1990, segundo o relatório, 20 mil austríacos pertenciam a organizações anti-semitas ou fascistas. E o jovem e rico Haider já era considerado um fenômeno político. Na época, ele se orgulhava de ser filho de nazistas e de ter adquirido uma considerável fortuna pessoal graças à expropriação de terras de judeus austríacos em 1940. Isso apenas contribuiu para a sua popularidade.
‘‘A extrema direita perdeu um pouco de força nesta década, mas ainda é uma ameaça’’, diz Ford. Numa pesquisa realizada em 1997 em todos os países da UE, um em cada três entrevistados admitiu ser ‘‘bastante’’ ou ‘‘muito’’ racista.
Mas o relatório de 1990 não se limita a denunciar as organizações políticas que, como o partido de Haider, estão chegando ao poder pelo voto. Segundo o documento, na Grã-Bretanha, por exemplo, os skinheads (considerados apenas um grupo marginal) arrecadavam cerca de US$ 1,7 milhão anuais e estavam recrutando simpatizantes nos EUA, com a ajuda dos militantes da Ku Klux Klan.

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