O Iraque não tinha estoques de armas químicas e biológicas antes da invasão norte-americana do ano passado e seu programa nuclear estava em decadência desde a Guerra do Golfo (em 1991), afirma o relatório produzido por Charles Duelfer, chefe dos inspetores de armas no Iraque nomeado pela administração de George W. Bush.
A conclusão contrasta com as declarações do presidente americano que tornou o tema a principal justificativa para declarar guerra ao Iraque, em março de 2003. A acusação feita por Bush à época recebeu apoio do premiês Tony Blair (britânico) e Silvio Berlusconi (italiano).
As conclusões do relatório foram apresentadas ontem no Senado americano, a menos de quatro semanas das eleições presidenciais. No texto de cerca de mil páginas, o inspetor disse que o programa de armas nucleares do Iraque havia se deteriorado desde 1991, mas afirmou que o presidente deposto Saddam Hussein não tinha abandonado suas ambições nucleares, químicas e biológicas.
O relatório sobre os atentados de 11 de Setembro já haviam concluído que o Iraque não teve envolvimento nos ataques contra Nova York e Washington. Nesta semana, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld disse que não havia uma ''evidência forte e clara'' ligando Saddam à Al Qaeda (de Osama bin Laden). Outra declaração polêmica foi a do ex-administrador civil do Iraque, Paul Bremer, que nesta semana afirmou que os EUA jamais tiveram tropas suficientes no Iraque.
Interrogatório - Os especialistas americanos em armamento interrogaram na prisão o ex-ditador Saddam Hussein, para tentar reconstituir o programa de fabricação de armas de destruição em massa iraquiano, informou um dirigente americano pouco antes da publicação do relatório sobre o assunto.
''Este homem é muito arisco'', declarou à imprensa este responsável, que não quis ser identificado, explicando que um único agente da polícia federal americana (FBI) havia sido encarregado dos interrogatórios de Saddam Hussein, para tentar estabelecer uma ligação com o ex-ditador.
A fonte descreveu o ex-ditador iraquiano como um homem com ''um grande senso da utilização do poder'', e considerou que o julgamento do presidente deposto seria sem dúvida ''muito interessante''. Segundo o responsável, nenhuma promessa de indulgência foi feita a Saddam Hussein em troca de uma cooperação com os inspetores americanos do desarmamento no Iraque.

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