Relatório mostra podridão do serviço secreto israelense
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sexta-feira, 14 de novembro de 1997
AE-Reuters Jerusalém 
Um relatório secreto divulgado ontem sobre o assassinato de Yitzhak Rabin revelou um lado escuro do serviço de segurança interno de Israel encarregado de proteger o primeiro-ministro.
Mas o anexo de uma investigação estatal conduzida no ano passado não contém nada que respalde um leque de teorias de conspiração relacionadas ao crime cometido por um militante judeu direitista.
O relatório detalha os oito anos de atividades de um agente do Shin Bet, Avishai Raviv. É dito que ele repetidamente agrediu e perseguiu palestinos, incitava a violência contra árabes e judeus e afirmou a amigos - incluindo o assassino Yigal Amir - que uma sentença religiosa de morte se aplicava a Rabin.
Vemos aqui um agente cujo comportamento era aberto a provocações, que não foi propriamente controlado por seus superiores e que algumas vezes recebeu a aprovação para suas atividades extremistas, considera o relatório. A divulgação do documento levou congressistas de todo o espectro político a pedir por um indiciamento contra Raviv - cujo codinome é Champanhe.
O Shin Bet recrutou Raviv em 1987 das fileiras da direita radical para fornecer informações sobre extremistas que poderiam planejar violência contra palestinos e contra judeus que apoiavam o processo de paz com os árabes.
Carmi Gillon, que era o chefe do Shin Bet quando Rabin foi assassinado, comparou o uso de Raviv como um informante ao emprego de viciados de drogas para pegar traficantes. Quando todo o grupo de traficantes se senta para fumar drogas, ele (o agente) vai ficar perto e rezar a Bíblia? Não, ele irá fumar drogas com eles, afirmou.
O relatório afirma que o Shin Bet advertiu Raviv pelo menos duas vezes para parar de provocar violência e ameaçou romper relações com o agente, mas nunca o fez. Pelo menos 11 vezes durante seus oito anos como informante, acusações criminais contra Raviv foram desconsideradas. Jornalistas identificaram Raviv como um agente do Shin Bet semanas depois da morte de Rabin.


