Londres - Em meio à negociação por um acordo que evite um ataque militar à Síria, um novo relatório da comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) que investiga crimes da guerra civil no país aponta que houve oito massacres - termo usado no documento - cometidos pelas forças do ditador Bashar al-Assad e um pelos rebeldes.
Segundo a comissão, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, há provas de assassinatos em massa, intencionais e com autores identificados. Em alguns, crianças estavam entre as vítimas.
O relatório foi produzido com base na visita feita pelo grupo entre 15 de maio e 5 de julho - ou seja, é anterior ao ataque com armas químicas de 21 de agosto, nos arredores de Damasco e não trata deste tema. "Forças pró-governo e oposição estão envolvidas na tomada de reféns", diz o texto do relatório, que será debatido na Comissão. Em comunicado, a comissão afirma que o conflito na Síria "tomou um rumo perigoso" e defende que se busque um acordo político. Uma opção militar, de acordo com a comissão, só aumentaria o "sofrimento" dos civis e nada contribuiria para mudar o cenário de guerra.
O grupo diz também que é preciso estancar o envio de mais armas do exterior para as tropas de Assad e para a oposição.
EUA e Rússia discutem um acordo para evitar um ataque aos sírios. O presidente Barack Obama, com apoio da França e do Reino Unido, tem defendido a intervenção contra Assad pelo uso de armas químicas. Ele sinalizou, porém, um recuo se o ditador sírio entregar seu arsenal.
A comissão de inquérito afirma que recebeu "alegações" do uso de armas químicas no país "predominantemente pelas forças do governo". Informa, porém, que não conseguiu descobrir os agentes químicos usados, nem o mecanismo para aplicá-los.
Outra comissão da ONU esteve recentemente na Síria só para investigar o uso de armas químicas, mas ainda não divulgou resultado.
Mais de 600 mil pessoas na periferia rural de Damasco precisam de ajuda humanitária urgente, anunciou ontem o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha). A maioria dessas pessoas está em zonas de difícil acesso, entre elas as localidades atingidas pelo ataque químico que teria ocorrido em 21 de agosto, acrescentou o Ocha.

Reunião
Os embaixadores dos cinco países membros do Conselho de Segurança da ONU se reuniram ontem para discutir a forma de desmantelar o arsenal químico de Damasco, informaram fontes diplomáticas. "Cada um apresentou sua posição, mas não houve uma verdadeira negociação", disse um diplomata da ONU.
Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China começaram na terça-feira a estudar o projeto francês para o desmantelamento do arsenal químico sírio, que indica a possibilidade de um recurso à força.
O presidente sírio comemorou 48 anos ontem. Cerca de 30 carros cobertos de retratos do chefe de estado e cheias de pessoas com bandeiras da Síria atravessaram Damasco, do bairro chique de Mazzé ao centro da cidade.

mockup