Relatório aponta recorde de jornalistas mortos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 2004
France Presse 
Viena - Um total de 64 jornalistas morreram em 2003 no exercício da profissão, dos quais 19 faleceram no Iraque, segundo o relatório mundial sobre a liberdade dos meios de comunicação que o Instituto Internacional da Imprensa (IPI) publicou ontem em Viena. ''Com 19 jornalistas mortos no Iraque, 14 deles durante a guerra e os outros cinco no pós-guerra, além de dois desaparecidos considerados mortos, 2003 foi o ano mais sangrento da atual época para os repórteres de guerra'', destaca o comunicado divulgado pelo instituto de defesa da liberdade de imprensa com presença em 115 países e que tem sede na Áustria.
Como consequência, o IPI pede aos militares que revejam suas políticas de comunicação com a imprensa em tempos de guerra. ''Algumas mortes no Iraque poderiam ter sido evitadas se os superiores tivessem fornecido aos soldados todas as informações disponíveis sobre a localização dos jornalistas'', acrescenta o IPI.
Outros 45 profissionais da imprensa morreram no ano passado em 19 países, segundo o relatório. A região mais perigosa foi a Ásia, com 19 jornalistas mortos, sete deles nas Filipinas. Outros 17 foram assassinados nas Américas, sendo nove na Colômbia, que continua sendo o país mais perigoso do mundo para o exercício do jornalismo.
Quatro jornalistas faleceram na Europa, sendo três na Rússia e um na Ucrânia. Por fim, dois profissionais morreram na África, ambos na Costa do Marfim. A organização francesa Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou no início de janeiro um balanço de 42 jornalistas mortos no planeta no ano passado, um número bastante inferior ao do IPI.
''Os dados contraditórios se devem aos diferentes critérios utilizados para a elaboração dos balanços'', disse à AFP Michael Kudlak, assessor do IPI. ''Algumas associações, por exemplo, consideram apenas os casos comprovados de jornalistas mortos enquanto trabalhavam. De nossa parte, se formos convencidos de que uma pessoa morreu na qualidade de jornalista, nós a incluímos no balanço'', explicou.


