Muitos das centenas de detidos-desaparecidos sob o regime militar chileno nunca serão encontrados porque seus corpos foram jogados no mar, em rios, em pontos altos da Cordilheira dos Andes ou simplesmente incinerados, de acordo com uma reportagem publicada ontem pela imprensa local.
O jornal La Tercera informou que este é o conteúdo de um relatório enviado anteontem pelas Forças Armadas do Chile ao presidente Ricardo Lagos após seis meses de buscas por informações sobre uma das mais dolorosas heranças deixadas pelo regime liderado pelo general Augusto Pinochet.
Informes similares foram enviados por diferentes igrejas e pela maçonaria, em cumprimento a um acordo obtido no ano passado, após 11 meses de funcionamento de uma ‘‘mesa de diálogo’’, integrada por representantes militares, advogados de direitos humanos e personalidades civis.
Segundo o La Tercera, o relatório dos militares e da polícia esclarece o destino de dezenas dos mais de mil dissidentes desaparecidos depois de terem sido presos pelos serviços de segurança de Pinochet, especialmente nos primeiros meses após o golpe de Estado de setembro de 1973.
De acordo com o informe, o Exército, a Marinha, a Força Aérea e a Polícia Federal forneceram informações sobre o destino de cerca de 200 desaparecidos. Destes, apenas 180 foram identificados.
Em muitos casos, só há a informação que houve pessoas mortas, mas sem identificá-las, apesar de ser esclarecido o que houve com os corpos: ‘‘jogados no mar, na montanha ou incinerados’’.

mockup