Relatório americano provoca reações
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Associated Press De Pequim 
A China respondeu ontem aos que criticam a situação dos direitos humanos no país, chamando a comissária dos direitos humanos da ONU de mal informada e retornando o fogo das críticas dos EUA divulgando seu próprio relatório sobre abusos nos Estados Unidos.
A reação veio um dia depois que o Departamento de Estado dos EUA divulgou seu relatório anual dos direitos humanos. Outros países criticados no relatório tiveram reações distintas.
O presidente colombiano Andrés Pastrana, que ontem foi recebido pelo presidente George W. Bush no Salão Oval da Casa Branca, considerou as acusações dos EUA sobre seu país incluindo abusos cometidos pelas forças armadas colombianas e milícias de direita um relato justo das realidades que estamos vivendo.
Em relação a Israel, o líder judeu americano Abraham H. Foxman disse que o relatório dos EUA ignora o contexto no qual a violência continua a ocorrer, incluindo o crescente incitamento feito pela Autoridade Palestina e os ataques diários contra civis israelenses.
O relatório americano afirma que a situação dos direitos humanos na China sofreu uma deterioração no ano passado e que a China aprisionou milhares de seguidores do proscrito movimento espiritual Falun Gong e intensificou uma repressão no Tibete.
O porta-voz do Departamento de Estado americano Philip T. Reeker citou a repressão da China ao Falun Gong e no Tibete ao anunciar segunda-feira que os Estados Unidos irão patrocinar uma resolução criticando a China na reunião anual da Comissão dos Direitos Humanos da ONU.
O Ministério do Exterior chinês acusou Washington de usar dois pesos e duas medidas. O governo dos EUA não fala sobre sua própria situação dos direitos humanos, e ainda assim faz grosseiras distorções da situação dos direitos humanos em outros países, disse o porta-voz Zhang Qiyue.
Por intermédio de seu escritório de informação, o gabinete chinês respondeu às críticas com seu próprio relatório sobre a deterioração da situação dos direitos humanos nos Estados Unidos.
Chamando a democracia americana de um jogo de homem rico o relatório cita o baixo comparecimento às urnas como uma prova de que a democracia nos Estados Unidos é um conto de fadas.
O relatório da China também destaca o grande número de jovens americanos mortos por armas de fogo, a execução de criminosos condenados como adolescentes e o abuso de crianças em prisões juvenis.
A China também reservou duras críticas para a alta comissariada das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Mary Robinson, que afirmou ontem ao fim de uma visita de três dias a Pequim que o tratamento dispensado pela China aos seguidores do Falun Gong é inaceitável, viola os direitos humanos, e tem de ser tratado. Em discussões com autoridades chinesas, Robinson disse que levantou numerosas reclamações recebidas por seu escritório de tortura, abusos e pesadas sentenças contra membros do Falun Gong.
Mas Liu Jing, que lidera um departamento ligado ao gabinete formado em setembro último para coordenar a repressão de 19 meses da China contra a seita, disse que Robinson estava mal informada.
Liu afirmou que a Falun Gong era uma ameaça social que destruiu dezenas de milhares de famílias e matou 1.600 pessoas, muitas delas praticantes obcecados que recusaram a medicina moderna.
Ele rechaçou como rumores afirmações de grupos de direitos humanos dando conta que mais de 100 seguidores já morreram na repressão. O Falun Gong garante que 5 mil de seus membros foram enviados sem julgamento para campos de trabalhos forçados e que 155 morreram.
No Egito, Hafez Abu Saada, secretário-geral da independente Organização dos Direitos Humanos Egípcia, disse que concordava com as alegações do relatório americano de que opositores do governo são perseguidos.
Entretanto, ele afirmou que o relatório teria mais peso caso fosse divulgado por um organismo internacional. Ele disse temer que o relatório possa tocar sensibilidades políticas e criar especulações de que Washington está tentando pressionar o Cairo em outras frentes como tentar conseguir que os palestinos concordem com um tratado de paz com Israel.
Um porta-voz do governo de Mianmá, antiga Burma, acusou que o relatório dos EUA era do mesmo tom que o usual e totalmente baseado em histórias fabricadas pelos campos antigovernamentais.


