Os Estados Unidos rejeitaram categoricamente ontem suspender os bombardeios contra a Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), que decretou cessar-fogo unilateral na província de Kosovo em respeito à semana da Páscoa ortodoxa. Ao mesmo tempo, anunciaram decisão de acolher na base militar de Guantânamo (Cuba) pelo menos 20 mil refugiados do conflito iugoslavo.
‘‘Temos agido com muita clareza nesse aspecto: meias medidas não encerram os ataque’’, disse David Leavy, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, classificando de insuficiente a iniciativa iugoslava.
‘‘O presidente Slobodan Milosevic (da Iugoslávia) pode parar os bombardeios, retirar suas tropas de Kosovo, permitir a volta dos refugiados e retomar negociações sérias de paz’’, acrescentou lembrando declaração feita na segunda-feira pelo presidente Bill Clinton.
Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália apoiaram a decisão dos EUA. Quinze minutos depois que o vice-primeiro-ministro iugoslavo, Vuk Draskovic, anunciou a trégua de Pascoa, as sirenes voltaram a soar nas principais cidades iugoslavas, anunciando o 15º dia de bombardeios da Otan.
‘‘Todos os soldados sérvios retornaram aos quartéis antes do cessar fogo, marcado para as 20 horas de hoje (ontem)’’, disse Draskovic. ‘‘Isto não é um show, é uma questão de vida ou morte para todos os sérvios e albaneses deste país.’’
O vice-primeiro-ministro dirigiu também um apelo a todos os refugiados albaneses para que regressem imediatamente a suas casas.
A Rússia recebeu a notícia com satisfação. ‘‘É uma chance de paz que o Ocidente não deveria deixar escapar’’, disse Serguei Prikhodko, conselheiro especial para assuntos internacionais do presidente Boris Yeltsin. ‘‘Moscou espera que a iniciativa de Belgrado contribua para reverter a grave situação nos Bálcãs.’’
O Vaticano classificou a trégua unilateral iugoslava de ‘‘passo importante para a paz’’ e pediu uma ‘‘atitude aberta’’ por parte dos países membros da Otan.
A proposta de Belgrado foi considerada ‘‘insuficiente’’ pelos primeiros-ministros Tony Blair (Grã-Bretanha), Massimo D’Alema (Itália) e Lionel Jospin (França) e pelo chanceler alemão, Gerhard Schroeder.
Draskovic mencionou também uma proposta de Milosevic ao líder albanês étnico moderado Ibrahim Rugova para estudar em conjunto com os sérvios um ‘‘acordo provisório que permita a Kosovo ter, no futuro, uma substancial autonomia política e administrativa’’. Ele sugeriu também ao dirigente kosovar a elaboração de um programa conjunto para o regresso dos refugiados a seus lares ‘‘sob supervisão da Cruz Vermelha Internacional e do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur)’’.
Segundo relatório da instituição, havia na manhã de ontem em território albanês 262 mil kosovares - 32 mil a mais que no dia anterior - 120 mil na Macedônia e 36 mil em Montenegro. A situação dos refugiados está melhorando com a decisão de vários países de acolhê-los em seus territórios .
Indiferente ao cessar-fogo unilateral dos sérvios, mais de 50 aviões da Otan levantaram vôo da base aérea de Aviano (Itália) para novas missões de ataque na Iugoslávia. Desde segunda-feira, 200 caças-bombardeiro saíram dali, para realizar, segundo a França, a mais importante operação militar desde 24 de março.

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