São Paulo - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse ontem que ainda não pretende iniciar as conversas para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) neste momento. "O governo britânico não irá invocar o artigo 50 [que fornece base jurídica para a saída da UE] neste momento. Esta é nossa decisão soberana e será tomada pelo Reino Unido, e pelo Reino Unido somente", disse em seu primeiro pronunciamento ao Parlamento após o plebiscito de quinta.
O premiê disse que o resultado da votação, que deu a vitória para o "Brexit" (junção de "Britain" e "exit" - saída britânica da UE), "não é o desfecho que penso ser melhor para o Reino Unido", mas que o resultado precisa ser respeitado e implementado "da melhor forma possível". Cameron também disse que não haverá mudanças imediatas para cidadãos da UE que hoje vivem no Reino Unido.
Em sua fala no Parlamento, o primeiro-ministro sugeriu ainda que o Reino Unido faça negociações para permanecer no mercado único europeu e anunciou a criação de uma nova unidade com servidores públicos que ajudará a preparar as negociações para a saída do Reino Unido do bloco econômico.
Também ontem, a chanceler alemã Angela Merkel afirmou em entrevista coletiva que não pretende pressionar o Reino Unido a acelerar ou desacelerar sua saída da UE, mas deixou claro que discussões informais sobre o "Brexit" não devem começar até que Londres peça a saída do bloco. "Eu não tenho nem um freio nem um acelerador. Em vez disso, tenho o trabalho de refletir, quando essa mensagem [sobre a saída do Reino Unido] chegar, sobre como implementá-la exatamente", disse.

BLOQUEIO
Cameron destacou ainda que não deve haver uma tentativa do Parlamento britânico de bloquear a saída do Reino Unido da UE. A primeira-ministra da Escócia, onde a opção de permanência na UE venceu com 62% dos votos, Nicola Sturgeon, chegou a dizer que deve "levar em consideração" aconselhar os parlamentares do país a usarem seu poder para dificultar a saída do Reino Unido da UE. Segundo Cameron, a saída da UE não será tranquila para a economia do Reino Unido. Ele acrescentou, no entanto, que as instituições financeiras britânicas têm planos robustos e podem resistir à incerteza do Brexit.

NOVO PRIMEIRO-MINISTRO
Após a vitória da opção pela saída no plebiscito na semana passada, Cameron anunciou que deixaria o cargo de primeiro-ministro. Um comitê do Partido Conservador responsável pela disputa da liderança do partido definiu em reunião de emergência que o processo de eleição para o próximo primeiro-ministro britânico deve ser iniciado na próxima semana e que um novo líder deve ser anunciado até o dia 2 de setembro.
O ex-prefeito de Londres e líder da campanha pelo Brexit, Boris Johnson, e a ministra Theresa May, favorável à permanência do Reino Unido na UE, são considerados os favoritos à vaga.

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