O transplante de medula a que se submeteu o rei Hussein, da Jordânia, esta semana, fracassou, e ele está à beira da morte, respirando com a ajuda de aparelhos, pois seus órgãos deixaram de funcionar. O anúncio foi feito ontem no começo da tarde por seu médico particular, tenente Samir Farraj, na Clínica Mayo, em Rochester, EUA, onde o monarca estava internado desde o dia 25 em tratamento contra câncer linfático.
Como não havia mais esperança de recuperação de Hussein, a família decidiu levá-lo imediatamente de volta a Jordânia, atendendo ao desejo manifestado por ele, quando estava ainda consciente, de morrer em seu país. O jato particular transportando o monarca deve chegar hoje a Amã, onde será conduzido de helicóptero a um hospital militar da cidade. Hussein, de 63 anos, viaja em companhia de vários médicos, da mulher, a rainha Noor, e de cinco filhos - quatro deles do atual casamento. Membros do governo e da família real estavam com receio de que o rei falecesse durante o trajeto.
O embaixador jordaniano nos Estados Unidos, Marwan Muasher, disse à Reuters que as condições do rei se deterioraram na quinta-feira, quando o monarca ainda estava consciente e pôde tomar a decisão de voltar à Jordânia e passar seus últimos dias com seu povo. ‘‘Ele quer morrer em seu país’’, explicou Muasher.
A notícia causou grande comoção na Jordânia, pois há apenas duas semanas o monarca retornara ao país de um longo tratamento de seis meses nos Estados Unidos, declarando-se curado da doença. Ele mesmo pilotara o Boeing que o levou de volta ao país e depois desfilou triunfantemente em carro aberto pela capital do país, Amã.
Dias depois, Hussein deu uma demonstração de que mantinha o firme comando do país ao tomar medidas duras sobre sua sucessão. O monarca destituiu seu irmão, príncipe Hassan, da função de príncipe regente e sucessor, designado pelo próprio Hussein 34 anos antes, quando ainda não tinha filhos.
Em seu lugar o monarca nomeou seu filho mais velho, príncipe Abdullah, de 37 anos, um militar com pouca experiência política.
Hussein é o governante há mais tempo no poder no Oriente Médio. Ele assumiu o trono em 1952, quando ainda era adolescente, e sobreviveu a várias tentativas de assassinato. Analistas políticos atribuem ao monarca a habilidade de ter mantido estável a Jordânia, país criado após a 2ª Guerra Mundial, e também o consideram uma figura-chave no processo de paz árabe-israelense.
Sua atitude de destituir o irmão e nomear o filho como herdeiro chocou os jordanianos e causou o temor de que após sua morte o país mergulhe em conflitos políticos.
Mas seus aliados, incluindo os Estados Unidos, manifestaram seu apoio ao príncipe Abdullah.France PresseDramaO rei Hussein ao chegar aos Estados Unidos na semana passadaReuters

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