Rei do Nepal dissolve governo e declara estado de emergência
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quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
Folhapress 
KatmanduO rei do Nepal, Gyanendra, dissolveu ontem o governo, assumiu todos os poderes do país -pela segunda vez em três anos-, e declarou estado de emergência. Após o anúncio, o Exército do país tomou as ruas de Katmandu (capital) e impôs prisão domiciliar ao primeiro-ministro Sher Bhadur Deuba e a outros líderes políticos.
O estado de emergência dá ao governo o direito de impor toques de recolher, estabelecer postos de controle, dar busca e deter cidadãos, que precisam ser apresentados a um juiz em até 24 horas.
A decisão foi tomada após vencer o prazo -em 13 de janeiro-, imposto por Deuda, para que o governo e grupos rebeldes da região retomassem suas discussões de paz. Devido a esse ''fracasso'' de contato entre as duas partes, o rei disse que o governo falhou em preparar uma situação que levasse à realização de eleições antes de abril e em proteger a democracia e a soberania do povo.
Fontes de partidos políticos do Nepal, que pediram anonimato, disseram que após o rei Gyanendra declarar estado de emergência, carros blindados tomaram as ruas de Katmandu e cercaram a casa do primeiro-ministro.
O secretário-geral do Partido Comunista do Nepal Marxista-Leninista Unificado (NCP-UML), o principal grupo de coalizão do governo, Madhav Kumar Nepal, também está preso em sua casa, que está cercada por carros militares, segundo
informações de fontes políticas.
As linhas telefônicas (fixo e celular) de Katmandu foram cortadas.
Durante seu discurso, o rei Gyanendra acusou o governo de ter fracassado em sua função de controlar a guerrilha e preparar novas eleições. Ele também acusou os partidos políticos de se deixarem envolver em ''brigas internas'' em vez de se unirem para proteger a democracia, a soberania e a infra-estrutura econômica nacionais.
Em junho último, o rei devolveu a Deuda o cargo de primeiro-ministro, após tê-lo destituído e ter dissolvido o Parlamento devido acusações de ''incapacidade e corrupção'' do Executivo e dos partidos políticos, o que gerou uma longa crise política no Nepal.
A guerrilha maoísta nepalesa começou a agir em fevereiro de 1996 e já matou mais de 11 mil pessoas. Seu objetivo é substituir a monarquia parlamentarista por um governo comunista. Os rebeldes pedem a formação de uma assembléia especial -uma das principais exigências- eleita para conceber uma nova Constituição e decidir a forma de governo.


