Rei afirma que a morte de Blanco não foi em vão
Num raríssimo pronunciamento sobre temas políticos, o rei da Espanha, Juan Carlos I, foi ontem à rede nacional de televisão para elogiar o comportamento dos espanhóis nas manifestações de repúdio à violência do grupo terrorista ETA. Os espanhóis estão dando ao mundo um exemplo irretocável de civismo e unidade, afirmou o rei. Eu diria que a morte de Miguel Angel Blanco não foi em vão, pois nos dá a oportunidade de seguir lutando nossa luta sem fim pela democracia, pela liberdade.
A consciência dos espanhóis, continuou o rei, foi desvendada nas ruas, demonstrando como enfaticamente eles querem continuar trabalhando pela democracia e os direitos humanos.
Juan Carlos, que enviou seu filho, o príncipe Felipe, ao funeral de Blanco, afirmou que o primeiro-ministro José María Aznar o manteve permanentemente informado sobre o sequestro do político, que acompanhou angustiado. Segundo o rei, as manifestações de ontem foram a maior prova da repulsa da Espanha pelo terrorismo.
Bandeiras negrasA emoção que dominou o dia inteiro na Espanha, foi incrustada em um grito popular de repulsa à violência. O ato mais emotivo foi registrado em Ermua (província basca de Vizcaya), cidade natal de Blanco Garrido, que se cobriu de bandeiras negras e de um religioso silêncio para dar seu último adeus à vítima.
Centenas de coroas e flores, muitas enviadas por anônimos, ladearam o caixão escoltado por dezenas de personalidades nacionais lideradas pelo príncipe Felipe, representante do rei, e pelo presidente do governo espanhol, José María Aznar.
Ao final do cortejo fúnebre, a multidão não conteve o grito de Assassinos! Assassinos!
A saída do cortejo para o Cemitério de Ermua foi saudada nos dez minutos de silêncio em todo o País, quebrado apenas pelo aplauso solidário à família da vítima.





