Regime de Kadafi dá sinais de implosão
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Folhapress 
São Paulo - O regime do ditador líbio Muamar Kadafi, no poder há 42 anos, está dando sinais de implosão, após uma semana de revolta popular que deixou ao menos 400 mortos e já paralisa a capital, Trípoli.
Embora insista em que a insurreição será reprimida ''a qualquer custo'', o governo enfrenta uma onda de deserções no gabinete, na Chancelaria, nas Forças Armadas e até nas tribos que compõem uma das bases do regime.
O uso da violência total contra manifestantes, incluindo bombardeios e disparos de metralhadora contra civis, não impediu o governo de perder o controle sobre áreas inteiras do território, incluindo a segunda maior cidade, Benghazi.
Há relatos, veiculados até pelo governo britânico, de que Kadafi teria fugido para a Venezuela, onde seria recebido pelo amigo Hugo Chávez.
A deserção mais importante até agora é a do ministro da Justiça, Mustafa Abud Al Jeleil. Segundo um jornal governista, Jeleil já se juntou aos protestos em Trípoli.
Brasileiros
O chanceler Antonio Patriota afirmou que a retirada de mulheres e crianças brasileiras da Líbia é prioridade para o Brasil. Ontem, os governos dos dois países negociaram a retirada de 123 brasileiros de Benghazi, epicentro dos choques, em um avião fretado.
''A ideia era que mulheres e crianças deixassem a Líbia agora mas, se a situação continuar se deteriorando, esse quadro poderá se transformar'', disse Patriota.
Segundo o chanceler, 123 funcionários da construtora Queiroz Galvão pediram ajuda para sair de Benghazi. Um avião fretado pela empresa aguardava ontem autorização para decolar com eles para Trípoli.
Ontem, o embaixador brasileiro na Líbia, George Fernandes, pediu apoio ao premiê líbio. Em Brasília, embaixador líbio, Salem Al Zubaidi, foi chamado ao Itamaraty para tratar do assunto, mas não concedeu a autorização. Pelo menos 50 desses brasileiros estão na mesma casa em Benghazi.


