A nova proposta dos comunistas italianos, que derrubaram o primeiro-ministro Romano Prodi, deixou atônita, ontem, a classe política. Eles propuseram a criação de um segundo governo de centro-esquerda com a mesma maioria.
‘‘Vamos propor ao presidente da República a formação de um gabinete que dure um ano e que seja apoiado pela mesma coalizão governamental designada pelos eleitores italianos dia 21 de abril de 1996’’, declarou Fausto Bertinotti, líder do Partido Refundação Comunista (PRC), despertando nova comoção nos meios políticos.
Os comunistas, responsáveis pela queda, quinta-feira, do primeiro-governo de centro-esquerda do pós-guerra, rechaçaram ante a Câmara de Deputados o austero orçamento para 1998, razão pela qual o primeiro-ministro apresentou sua renúncia ao presidente da República, Oscar Luigi Scalfaro, depois de um dia definido como ‘‘dramático’’.
A nova proposta comunista ultrapassou as expectativas, deixando para trás todas as consultas iniciadas ontem pelo presidente Scalfaro, quem deverá indicar terça-feira o possível sucessor de Prodi, ratificar o nome dele ou convocar eleições antecipadas.
Os comunistas especificaram que apoiariam um novo governo de centro-esquerda desde que leve em conta as exigências do partido: defesa do sistema de aposentadoria, da saúde pública e do emprego. Prodi qualificou de ‘‘pouco séria’’ a idéia.

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