Migrantes iranianos costuraram as próprias bocas ontem para protestar contra o desmonte da "selva" de Calais, na França, repetindo o ato da véspera feito por vários compatriotas. Diante das câmeras e do ambulatório da ONG Médicos sem Fronteiras, nove iranianos se exibiram com as bocas costuradas.
O grupo era formado apenas por homens, quase todos com os rostos cobertos por echarpes com buracos na altura dos olhos. Um cartaz trazia a inscrição "Will you listen now?" (Agora seremos ouvidos?). Na noite de quarta-feira, oito iranianos já tinham costurado suas bocas.
Durante o protesto, o grupo caminhou em uma rua estreita do acampamento exibindo cartazes com as frases "We are humans" ("somos humanos") e "Where is your democracy? Where is our freedom?" ("Onde está sua democracia? Onde está nossa liberdade?")
Autoridades francesas desmontam desde segunda-feira o setor sul da "selva", uma imensa favela erguida no norte da França, onde vivem milhares de refugiados, a maioria sírios, afegãos e sudaneses que querem ir para a Grã-Bretanha. Em todo o acampamento há entre 3,7 mil e 7 mil refugiados.
Ontem, durante uma cúpula entre o presidente francês François Hollande e o premiê britânico, David Cameron, em Amiens, no norte do país, foi confirmado que a Grã-Bretanha vai destinar 22 milhões de euros à gestão da crise migratória de Calais. Londres já aportou 60 milhões de euros para melhorar a segurança nos arredores do porto de Calais e do túnel da Mancha, por onde os refugiados tentam passar para a Inglaterra.

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