Reformistas terão 70% do Parlamento
Associated Press
De Teerã
Triunfo da Frente de Participação do Irã Islâmico-FPII deu-se homogeneamente, por todas as regiões do país, surpreendendo até os próprios simpatizantes
Os reformistas iranianos asseguravam ontem ter obtido mais de 70% das cadeiras do Parlamento (Majlis) do Irã, depois de apurados mais de 65% dos votos da eleição de sexta-feira.
A derrota dos conservadores, que desde a Revolução Islâmica de 1979 ditam as leis no país, já era esperada, de acordo com analistas políticos independentes, mas a amplitude do triunfo da Frente de Participação do Irã Islâmico (FPII, de tendência social-democrata) surpreendeu até mesmo seus simpatizantes.
As projeções indicam que os reformistas conquistaram na eleição 190 das 290 cadeiras do Parlamento. Os conservadores obtiveram 44 vagas e candidatos independentes foram eleitos para nove cadeiras. As vagas restantes, em distritos nos quais nenhum candidato obteve a votação mínima de 25%, serão preenchidas em segundo turno.
Os eleitores não foram às urnas apenas para eleger um determinado número de legisladores, disse Abbas Abdi, membro da cúpula da FPII. Eles acabaram transformando a eleição num referendo.
Aparentemente, a votação transformou-se num chamado popular por reformas, sejam quais forem os reformistas, assinalou um professor universitário de Teerã que pediu para não ter o nome divulgado. Os iranianos votaram em favor de mudanças rápidas e radicais e esperam obtê-las por meio da mudança na composição do Parlamento.
A vitória dos reformistas deu-se homogeneamente, por todas as regiões do país. Mas sobressaíam-se, na opinião dos analistas, o triunfo em Mashhad tradicional baluarte da linha dura clerical , onde a FPII conquistou todas as cinco cadeiras em disputa, e a liderança na apuração dos votos da capital, Teerã, o distrito mais importante.
Ali, o partido enfrenta não só os conservadores, mas também o grupo moderado G6 (Serventes da Construção), do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, sócio dos reformistas na coalizão que sustenta o governo do presidente Mohammad Khatami.
Numa aparente concessão ao desejo de reforma, o regime iraniano libertou ontem o ex-ministro do Interior Abdullah Nuri, um dos mais próximos colaboradores de Khatami, condenado a cinco anos de prisão no ano passado sob a acusação de ter insultado dogmas sagrados do Irã. Outro membro da FPII, o clérigo reformista Mohsen Kadivar, preso por ter defendido a separação da religião do Estado, foi autorizado a deixar a prisão por uma semana.
O Parlamento não é particularmente importante no sistema político iraniano. Sua principal tarefa é a de aprovar as leis apresentadas pelo Executivo, embora tenha também a atribuição de destituir ministros do gabinete. Mas todas as decisões dos parlamentares podem ser vetadas pelo Conselho Guardião que assume funções de câmara alta do Legislativo , que avalia se elas são compatíveis com a Sharia (lei islâmica) e a Constituição.
Em última análise, Parlamento, Executivo e Judiciário devem subordinar-se ao líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu o líder da Revolução Islâmica, Ruhollah Khomeini.





