Reformista assumirá governo do Japão
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terça-feira, 24 de abril de 2001
Associated Press De Tóquio 
No que representa um duro golpe para a elite política japonesa, o dissidente reformista Junichiro Koizumi derrotou ontem o atual primeiro-ministro nas eleições para a presidência do partido governista o que garantirá sua eleição para chefe de governo amanhã. Os 293 votos contrários ao primeiro-ministro Ryutaro Hashimoto, contra 155 a seu favor por parte de membros do Partido Liberal Democrático (PLD), permitiram varrer do comando partidário, nas primárias da agremiação, a cúpula dominante.
Com seu mandato reforçado pelas bases partidárias (ele precisava de
apenas 244 para vencer as primárias), Koizumi de 59 anos, divorciado e com filhos, representa um Japão menos vinculado à tradição e promete mudar o partido, mudar o país e ganhar a confiança do público.
A eleição do candidato dissidente reflete o crescente descontentamento popular com as lideranças do PLD e a economia em crise, ao lado da desesperada tentativa do PLD de promover reformas apenas de fachada para preservar-se no poder.
Koizumi indicou que pretende mudar a Constituição para dar ao país um papel militar mais amplo, dizendo ser antinatural uma nação ter uma força de autodefesa que não seja chamada de Exército. A Constituição japonesa estipula que o país nunca terá Forças Armadas, embora suas Forças de Autodefesa já estejam entre as mais poderosas do mundo.
Apesar de sua aparência informal, seus cabelos longos e o estilo pouco tradicional de vestir-se, é crescente a apreensão na Ásia de que Koizumi adote a linha dos falcões em sua política de defesa. Ontem, ele defendeu as visitas a um santuário em Tóquio em homenagem aos mortos na guerra, incluindo criminosos da Segunda Guerra Mundial. A China e a Coréia do Sul vítimas da ocupação japonesa na ocasião se opõem a essas visitas.


