Associated Press
Do Cairo
Quando os sacerdotes muçulmanos linha-dura tomaram o poder no Irã, os governos árabes da vizinhanças temeram que o sucesso do ramo radical islâmico de Teerã seria um perigoso exemplo para a região.
Vinte e um anos depois, novos ventos democráticos estão vindo do Irã e muitos dos vizinhos do país estão novamente aterrorizados. Agora, eles preocupam-se com o exemplo de uma sociedade na qual as pessoas, em vez de serem governadas por clãs políticos de longa duração elegem seus governantes e as mudanças vêm de urnas eleitorais em vez de golpes.
O movimento de reforma do Irã teve início em 1997 com a surpresa da eleição do relativamente liberal Mohammad Khatami como presidente. Ele começou a aliviar algumas das restrições sociais impostas pelo clero e a realizar uma reforma econômica.
Os aliados de Khatami conseguiram uma esmagadora vitória nas eleições parlamentares do dia 18 de fevereiro. Pela primeira vez desde a revolução, a ala linha-dura perdeu o controle do parlamento.
Em contraste, a paisagem do mundo político árabe tem monarquias com governantes absolutos ou repúblicas com presidentes autoritários e pseudodemocracias.
Farid el-Khazen, da Universidade Americana de Beirute, Líbano, prevê que os líderes árabes que vêm brincado com a idéia de promover eleições livres podem desistir da idéia depois das eleições no Irã.
‘‘Pode isso se tornar um exemplo a ser seguido? Eu não acredito. Talvez o oposto - poderia ser, na verdade, uma lição para que sejam mais cautelosos e conservadores’’, diz ele.
John Esposito, professor de estudos islâmicos da Universidade Georgetown em Washington, lembrou a experiência da Argélia. O governo leigo cancelou as eleições de 1992 porque tudo indicava que grupos islâmicos seriam os vencedores, mas deu início a uma revolta que matou dezenas de milhares de pessoas.
‘‘Se os governos árabes estiverem simplesmente preocupados com a retenção do poder, eles podem, infelizmente, retirar deste exemplo uma lição negativa’’, disse Esposito.
Para as pessoas da região, preocupadas com a reforma, o Irã é um ponto de referência. ‘‘O país deu aos estados árabes a idéia de realização de mudanças de dentro para fora, tornando o sistema flexível o suficiente para absorver todos os movimentos sob o slogan da democracia’’, disse Labib Kamhawi, um importante analista da Jordânia.
‘‘A decolagem da democracia no Irã já começou e nenhum observador objetivo pode duvidar de sua credibilidade’’, acrescentou Fahmi Howeidi, escritor egípcio moderado, que é amplamente respeitado.A chegada de ventos democráticos, com a eleição de Khatami e de seus aliados, é tida como um exemplo perigoso pelos governos vizinhos
Arquivo FolhaMUDANÇASMulheres votam nas eleições legislativas de fevereiro, quando os partidários do presidente foram vencedores

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