Reforma na Bolívia preocupa paranaenses
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quinta-feira, 11 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O decreto presidencial com novas regras para a política agrária boliviana tornou-se fonte de apreensão para o grupo de aproximadamente 300 agricultores brasileiros que se mudaram para a Bolívia nos anos 90. Hoje, os brasileiros respondem por 40% da produção nacional de soja estimada em 2 milhões de toneladas.
Paranaenses das regiões Norte e Oeste compõem parcela significativa deste grupo. As exportações de soja alcançam U$ 400 milhões por ano e representam o segundo item mais importante das vendas externas da Bolívia - atrás apenas do gás e petróleo.
Eles relataram à Folha que até ontem não houve mudanças na legislação nem no dia-a-dia das fazendas, mas os discursos de Morales sobre a reforma agrária estão paralisando os investimentos. ''O momento é preocupante, o presidente vem fazendo declarações de que terras produtivas não serão afetadas, mas não temos uma definição ainda'', contou o agropecuarista londrinense, José Eduardo Rocha Cabral.
Sua família, que chegou há 12 anos na Bolívia, mantém quatro propriedades de grande porte para produção de soja no Departamento de Santa Cruz, o maior do país. De acordo com Cabral, informações dadas pelo governo indicam que as desapropriações vão atingir apenas as fazendas ilegais localizadas na faixa de 50 km da fronteira, ou em áreas indígenas e de reserva florestal. ''O que a lei não permite, parece que será desfeito. Para nós que estamos 100% legalizados, esperamos que não haja problema''.
José Eduardo Cabral conta que os brasileiros foram atraídos ao país em razão da excelente composição química do solo e da alta rentabilidade financeira. ''Apesar dos problemas, trabalhar aqui ainda é muito melhor que no Brasil, onde os agricultores não conseguem sair do vermelho''.
O diretor da Associação Nacional de Produtores de Oleaginosas e Trigo da Bolívia (Anapo), o agricultor mineiro, Zacarias Valle, disse que a preocupação é crescente porque o projeto de reforma agrária está sendo elaborado sem a participação da classe produtiva. Uma informação que tem corrido em La Paz é que a reforma poderá limitar o tamanho das fazendas a 2.500 hectares, o que atingiria propriedades de brasileiros.
''Nós viemos para cá há 15 anos e ajudamos a construir o setor, introduzindo melhorias genéticas e o plantio direto. Estamos preocupados porque o governo não abre para discussão e ninguém sabe qual decisão será tomada''. De acordo com Valle que é casado com uma londrinense e mora em Santa Cruz de la Sierra , o decreto sobre uso do solo será publicado nos próximos dias.


