São Paulo - Os 30 mil soldados extras que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu anteontem enviar ao Afeganistão começarão a chegar àquele país em duas a três semanas, informou o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, hoje, em audiência perante comitê do Senado.
Perante os senadores, Gates confirmou que o plano de Obama é começar a transferir para os afegãos a responsabilidade pela segurança do país em meados de julho de 2011, quando as tropas americanas começarão a se retirar do território afegão. O secretário afirmou que todo o processo será ''crítico, porém viável''.
Gates afirmou ainda que um eventual fracasso dos EUA significaria o domínio do movimento radical islâmico Taleban sobre a região e um fortalecimento da rede terrorista Al Qaeda, que é liderada por Osama bin Laden.
O envio de soldados extras e o prazo para retirada do Afeganistão foram anunciados por Obama em um aguardado discurso à nação. O reforço surge em um momento no qual a luta que já dura oito anos vive uma explosão de violência. Ontem, a Isaf (a força internacional liderada pela Otan no Afeganistão) confirmou que o número de militares americanos mortos desde janeiro já chegou a 300 -o que eleva o total de militares estrangeiros mortos no país só neste ano a 486, um recorde.
Em comunicado enviado por e-mail a meios de comunicação, o Taleban afirmou que treinará ''quantos militantes forem necessários'' para ''compensar'' o reforço nas tropas internacionais.
Apoio - Os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) enviarão, no mínimo, 5.000 soldados adicionais ao Afeganistão em apoio ao envio de 30 mil soldados americanos como parte da nova estratégia de guerra anunciada por Barack Obama.
''Posso confirmar que os aliados e nossos sócios realizarão uma contribuição significativa, de ao menos 5 mil soldados adicionais, com a possibilidade de alguns milhares mais'', afirmou em Bruxelas o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen.
O reforço das tropas aliadas já havia sido especulado por fontes militares na semana passada. Não se sabe ainda de quem virão estes soldados - já que a guerra afegã é cada vez mais impopular em boa parte da Europa, onde estão os principais aliados dos EUA. O Reino Unido foi o único que já anunciou um reforço, antes mesmo do discurso de Obama, de 500 homens que se juntarão aos 9 mil que atualmente estão em solo afegão.

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