Reflexos de tremor no Chile atingem Brasil
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terça-feira, 14 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Um tremor de terra, reflexo de um terremoto de magnitude 7,9 graus na escala Richter que provocou na segunda-feira 11 mortes no Chile, fez balançar casas na capital paulista e no interior, além de Paraná, Goiás e Distrito Federal.
Um novo tremor de intensidade regular foi sentido ontem em Santiago e outras cidades da região central do Chile, informou o Escritório Nacional de Emergências (Onemi). Ontem, equipes de resgate encontraram uma mulher idosa morta, e em um povoado boliviano (próximo ao epicentro do terremoto, que aconteceu na fronteira entre Chile, Bolívia e Peru) uma menina morreu.
Em São Paulo, bairros como Higienópolis, Perdizes, Pinheiros e Vila Madalena (zona oeste), Parada de Taipas e São Domingos (zona norte) foram afetados, segundo a Defesa Civil do município. Não houve registro de ocorrências graves relacionadas ao fenômeno, que atingiu a cidade por volta das 20h.
Até as 21h, a Defesa Civil havia recebido dez ligações de pessoas interessadas em saber a origem do tremor. A queda de livros das estantes e o balançar de chaves nas portas eram alguns dos relatos de quem telefonou. Pela escala de Mercalli, que traduz em números os efeitos do terremoto nas pessoas e estruturas, o terremoto no Chile teve uma magnitude de 10 a 11. Em São Paulo, a magnitude foi de 2 a 3. A escala Richter baseia-se apenas em registros sismológicos. Tremores de magnitude 2 na escala de Mercalli só são percebidos em locais altos e por quem está em repouso.
Segundo o professor Jesús Antônio Berrocal Gómes, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), o tremor foi um dos maiores sentidos em São Paulo nos últimos quatro ou cinco anos. Segundo ele, os efeitos do terremoto chegaram à capital porque o abalo foi muito profundo, a 110 km da superfície. ''Se a profundidade fosse menor, os estragos no Chile teriam sido bem maiores. Mas, como o foco foi bem profundo, o sismo ganhou amplitude e atingiu lugares mais distantes'', explicou o especialista.
De acordo com Gómes, o tipo de tremor que atingiu São Paulo não traz perigo. ''Os prédios construídos em cima de solos de material sedimentar não muito compacto, que é mais mole, foram os que mais sentiram o efeito'', completou. Moradores do 17º andar de um prédio na rua Senador Lacerda Vergueiro, na zona oeste de São Paulo, Eduardo Assumpção, 23 anos, e sua mãe, Maria Célia Assumpção, 56, sentiram o tremor por volta das 20h30. ''Estava trabalhando no computador, quando senti uma tontura forte. Ao chegar à sala, vi o lustre balançando como um pêndulo'', explica Eduardo.
Também moradora da Vila Madalena, a arqueóloga Silvia Maranca conversava com a irmã ao telefone quando sentiu sua cama andar. Ela não se assustou, pois viveu no México e passou por vários tremores naquele país. ''Mas certamente não é agradável.'' O professor Joseph Harari, 53, morador de Higienópolis, só viu o lustre balançar.
Temerosos, alguns moradores do Jardim Europa conjunto de 14 edifícios na Lagoinha, bairro nobre de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo deixaram os apartamentos. ''Foi horrível, deu pânico'', disse a empresária Vera Lúcia Baltazar, 52, moradora há três anos do sétimo andar do Parma, um dos prédios do conjunto.


