Referendo sobre aborto não alcança quórum
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de junho de 1998
Agência Estado 
O primeiro referendo da história portuguesa sobre a descriminação do aborto não foi válido. Na votação realizada ontem, as sondagens de boca-de-urna indicavam uma abstenção de 70 a 80%, mas para a decisão contar era necessária a participação de 50% dos eleitores. Nos votos expressos, houve uma clara vitória do sim, por 59% a 41%.
Apesar de não haver campanha de boca-de-urna - proibida em Portugal -, as pessoas chegavam nos locais de voto com a decisão tomada. Vai dar sim. Se o não vencer, nunca mais voto em nada na vida. Acho que o nosso povo não está tão atrasado assim, afirmava Ana Sofia Gabriel, funcionária dos Correios.
O nível de abstenção surpreendeu a todos os envolvidos na campanha e devolveu a decisão à Assembléia da República.
Sem uma decisão clara, cada lado tentou puxar o resultado para o seu campo. O povo decidiu que esta matéria deve ser decidida pela Assembléia da República, afirmou o deputado Sérgio Sousa Pinto, da Juventude Socialista, que propôs a lei.
Portugal tem cerca de 8,5 milhões de eleitores e uma população de 10 milhões.


