Associated Press
De Kiev
Os ucranianos votaram ontem um referendo que poderá tornar mais fácil para o presidente Leonid Kuchma controlar e dissolver o parlamento, o qual acusa de bloquear reformas essenciais na ex-república soviética.
Os postos de votação abriram às 7 horas (locais) e deveriam permanecer abertos até as 17 horas. A Comissão Central de Eleições informou que os resultados iniciais deverão estar disponíveis nesta segunda-feira.
Kuchma lançou a iniciativa para o referendo em janeiro depois de anos de confronto com o parlamento, de 450 cadeiras, ou Verkhovna Rada, antigamente dominado pelos comunistas e outras alas radicias.
Apesar de uma nova maioria pró-governamental ter sido formada no parlamento, Kuchma afirma que a Casa não é estável o suficiente para ajudar a Ucrânia a superar seu declínio econômico após a era soviética.
‘‘A questão é se seremos capazes de fortalecer a tendência de crescimento que conseguimos obter pela primeira vez em uma década, ou deveremos continuar a perder tempo e desperdiçar nossos esforços em discussões e confrontos’’, disse Kuchma em um discurso aos eleitores no sábado em cadeia nacional de televisão.
O referendo pergunta aos eleitores se querem um parlamento menor, de 300 lugares, que teria duas Câmaras uma de representantes eleitos em escala nacional e outra composta de representantes municipais e regionais, que seriam nomeados.
Também pergunta aos eleitores se querem retirar dos deputados a imunidade parlamentar e se aceitam dar a Kuchma o poder de dissolver o parlamento, caso os legisladores deixarem de formar uma ‘‘maioria parlamentar permanente’’ dentro de um mês ou não aprovarem a proposta de orçamento do governo em até três meses.
Para ser validado, o referendo precisa ter um comparecimento de pelo menos 50% do eleitorado e seus resultados serão mandatórios segundo o Tribunal Constitucional. Se aprovado por maioria simples, cada questão deverá então ser aprovada pelo parlamento, na forma de emenda constitucional.
Os analistas prevêem que os eleitores deverão aprovar a iniciativa do referendo, mas acreditam que o parlamento não deverá aprovar as emendas, o que poderá causar um profunda crise política na Ucrânia.

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