Referendo na Argélia em clima tenso
Helicópteros do Exército argelino lançaram ontem milhares de panfletos sobre Argel para tentar convencer a população a participar, hoje, de um referendo sobre projeto de Constituição que amplia os poderes do presidente Liamine Zeroual e proíbe a existência de partidos religiosos - impedindo assim os fundamentalistas muçulmanos de disputar o poder. Os guerrilheiros integristas prometem obstruir a votação. Uma das organizações fundamentalistas mais extremistas, o Grupo Islâmico Armado (GIA), prometeu cortar o pescoço de quem sair de casa para votar.
A Argélia, está vivendo, nos últimos tempos, um aumento espantoso da violência: 147 civis foram mortos desde o início deste mês. Os confrontos entre forças do Governo e grupos armados e os ataques contra os civis causaram a morte de mais de 50 mil pessoas desde 1992.
História Conquistado pelos árabes no século VII da era cristã, o país foi islamizado. Colonizada pela França em 1830, a Argélia recuperou sua independência em 1962, depois de oito anos de guerra. Em 1963, a Frente de Libertação Nacional (FLN) se converteu em partido único e Ben Bella em primeiro presidente da República Argelina. Foi deposto em 1965 pelo coronel Huari Bumedian, que se manteve no poder até sua morte, em 1978.
Em 1979, o coronel Chadli Bendjedid foi eleito presidente e se manteve até janeiro de 1992, quando foi forçado a renunciar. Foi substituído pelo Alto Comitê de Estado, órgão colegiado dirigido primeiro por Mohammed Budiaf, que foi assassinado em junho de 1992, e depois por Ali Kafi.
No dia 12 de janeiro de 1992, foi anulado o segundo turno das eleições legislativas. O primeiro tinha terminado com a vitória, em grande parte, da Frente Islâmica de Salvação (FIS). Esse partido foi declarado fora da lei em março.
Em 16 de novembro de 1995, Liamine Zerual foi eleito presidente com 61,01% dos votos na primeira eleição presidencial pluripartidária. O Conselho Nacional de Transição (CNT), composto por 175 membros, cumpre as funções de assembléia. Foi instalado em maio de 1994 por Zerual depois de uma conferência nacional de consenso boicotada pela quase totalidade da oposição.
Economia O setor dos combustíveis representa 95% das exportações. Primeira produtora de gás da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e quarta produtora mundial, a Argélia extraiu 113 bilhões de metros cúbicos no ano passado.





