A libertação dos 18 últimos reféns, entre os quais se encontrava o deposto primeiro-ministro Mahendra Chaudhry, detidos no recinto do parlamento das ilhas Fiji, parece pôr um ponto final a uma crise política de 55 dias, neste arquipélago do Pacífico Sul.
Mahendra Chaudhry, visivelmente enfraquecido, admitiu sua derrota, mas não se mostrou resignado, explicando que atual principal prioridade é ‘‘recolocar o país em andamento’’.
Indagado se ainda continuava se considerando primeiro-ministro, Chaudhry, que foi o primeiro chefe de Governo de origem indiana, disse não saber ainda, pois ‘‘isso depende do que o povo pensar’’.
Chaudhry disse também que não tinha a intenção de partir num momento em que muitos indo-fijianos, que representam 43% dos 800 mil habitantes do arquipélago, prevêem ir embora.
Os reféns, capturados em 19 de maio passado por George Speight, um controvertido empresário que proclamou atuar ‘‘em nome da população indígena de Fiji’’, foram levados por carros da Cruz Vermelha para serem submetidos a exames.
Os rebeldes aplaudiram e acenaram se despedindo dos reféns quando estes cruzaram a saída do parlamento. Também cantaram, como se considerassem os últimos acontecimentos da crise uma vitória.
Este desenlace acontece ao final de vários dias de violências na ilha. A crise fez ressurgir os conflitos dentro da comunidade autóctone de Fiji, que se apoderou de vários complexos turísticos.
Os caminhoneiros retidos se multiplicaram por todas as partes no país e a central hidrelétrica está ocupada há vários dias por partidários de George Speight.
A libertação dos reféns acontece dentro de um acordo que os golpistas assinaram em 9 de julho com o exército, que detém todos os poderes depois da proclamação da lei marcial em 29 de maio passado.
Conforme este acordo, o Grande Conselho de Chefes, uma assembléia não eleita de 50 chefes indígenas fijianos, reuniu-se ontem para eleger um presidente e um vice-presidente.
Um assessor de George Speight, Josefa Illoilo, foi nomeado presidente e indicou que formará um governo nos próximos dias. Os detalhes sobre as condições exatas ao final deste golpe de Estado e da libertação dos reféns ainda não são conhecidos hoje, mas os rebeldes não pareciam ter se rendido ou entregue as armas.

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