Londres - Grande parte dos reféns de Beslan (Ossétia do Norte) não tinham qualquer possibilidade de escapar a salvo da escola, devido à enorme quantidade de explosivos colocados e à determinação do comando pró-checheno, consideraram nesta quarta-feira diversos especialistas britânicos depois de analisarem vídeos sobre a tragédia. ''Não acredito'' que os reféns tinham qualquer chance de se salvar, declarou à AFP Francis Tusa, diretor de Defence and Analysis.
''Se os sequestradores tivessem escapado após ter provocado um caos, teria sido um sucesso para eles. No entanto, morrer depois de ter matado tantas pessoas também não deixa de ser um êxito para eles. De qualquer forma, saem ganhando'', acrescentou Tusa.
Muitos explosivos foram colocados na escola de Beslan, e como os reféns estavam distribuídos em várias salas, as chances de salvá-los eram mínimas, explicou Tusa. ''Se os reféns tivessem sido reunidos em uma única sala, teria sido possível planejar uma operação de resgate'', frisou.
''Vimos no vídeo membros do comando usando cinturões carregados de explosivos. Com este tipo de pessoas, já se pode prever um massacre'', afirmou.
Além disso, as bombas haviam sido colocadas com o objetivo de causar o maior número de mortos possível, destacou Paul Rees, um ex-membro dos comandos dos Royal Marines, ao assistir ao vídeo gravado pelos terroristas. ''Com os explosivos colocados em lugares altos, todos os reféns podiam ter sido atingidos, tanto pelos fragmentos quanto pelas ondas causadas pelo choque, que também são mortais'', explicou Rees.
Tusa afirma que as unidades antiterroristas ocidentais não teriam realizado um melhor trabalho que as forças russas. ''A idéia de que uma unidade antiterrorista ocidental teria conseguido libertar os reféns sem derramar sangue é, na minha opinião, muito, mas muito otimista'', enfatizou.

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