Reféns fogem dos rebeldes nas Filipinas
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
France Presse De Manila 
Os dois ex-reféns franceses dos rebeldes muçulmanos do grupo Abu Sayyaf, Roland Madura e Jean-Jacques Le Garrec, recuperados ontem de manhã pelo exército filipino chegaram à tarde a Manila, informou a televisão local. Os dois disseram que conseguiram escapar dos rebeldes na noite de terça-feira.
Aproveitamos a escuridão e os combates para escapar, disse Jean-Jacques Le Garrec no momento em que os dois ex-reféns eram recebidos pelo presidente Joseph Estrada.
Tivemos muito medo desde que começou a ofensiva, temíamos uma bala perdida e principalmente pensávamos em nossas famílias, acrescentou Roland Madura. Acreditávamos que já não valíamos mais nada como reféns, disse. Os dois ex-reféns disseram ter visto outros prisioneiros nos últimos dias.
Jean-Jacques Le Garrec, de 46 anos, cinegrafista e Roland Madura, 49 anos, técnico de áudio, deveriam sair de Manila ainda ontem num vôo comercial.
O chefe do Estado filipino afirmou que o exército filipino prosseguirá com sua ofensiva lançada há cinco dias contra os rebeldes até a libertação de todos os sequestrados.
Não vamos parar por aqui, ainda restam 17 reféns que é preciso socorrer e vamos intensificar as operações, declarou Joseph Estrada.
A cifra de 17 pessoas dada por Estrada indica que três jovens filipinas sequestradas em 1º e 28 de agosto, em Jolo, pelos rebeldes não são consideradas reféns. As mulheres teriam sido sequestradas para se unir aos rebeldes. Três malaios, um americano, Jeffrey Schilling, e 13 filipinos continuam em poder dos rebeldes.
O presidente francês Jacques Chirac foi informado de madrugada que os dois últimos prisioneiros franceses dos grupos islâmicos da Ilha de Jolo, nas Filipinas, haviam fugido e tinham sido recolhidos pelo Exército filipino e já se encontravam em Manila.
A longa detenção de vários franceses em mãos dos guerrilheiros islâmicos havia provocado uma crise entre a França e as Filipinas e certa tensão entre Paris e Washington.
Quando o governo filipino decidiu lançar uma ofensiva contra os sequestradores, a França ficou preocupada. Temia que os terroristas se vingassem voltando-se contra os reféns e matassem os dois últimos prisioneiros franceses.
Chirac deplorou publicamente que o presidente filipino, em lugar de esperar a libertação de todos os reféns, tivesse precipitado as coisas e mobilizado seus soldados sem consultar previamente Paris.
A severa admoestação de Chirac não agradou a Joseph Estrada, que replicou com desdém: Não tenho obrigação da falar com Chirac e ele não deve intervir em nossos assuntos.
É difícil dizer de uma forma melhor que, nessa parte do mundo, a França, muito embora seja um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, não intimida ninguém. E a amargura francesa foi ainda maior porque, ao mesmo tempo, os Estados Unidos se agitavam muito na região.
Tudo isso demonstra que o peso de Washington continua esmagador na região, muito embora os Estados Unidos tenham se retirado militarmente das Filipinas em 1992. Por outro lado, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, William Cohen, se encontrava nas Filipinas naquele momento e provavelmente havia dado o sinal verde para o ataque. (Com Gilles Lapouge, da AP)


