Bagdá - Três reféns estrangeiros foram libertados e um agente de segurança sul-africano foi assassinado ontem no Iraque, em um dia marcado por uma manifestação xiita na qual as forças britânicas foram responsabilizadas pelos sangrentos atentados suicidas de quarta-feira no sul do país.
Em Bagdá, um diplomata palestino anunciou que Nabil Georges Yaaqub Razzuq, um árabe israelense sequestrado no Iraque em 8 de abril, foi libertado e se encontra em bom estado de saúde.
Nascido numa família palestina cristã de Jerusalém Leste, Razzuq, 30 anos, naturalizou-se israelense há alguns anos. Ele trabalhava no Iraque para a organização americana Research Triangle Institute (RTI), e a Autoridade Palestina intermediou para sua libertação, à pedido de sua família.
As autoridades de Berna informaram igualmente que dois cidadãos suíços foram libertados após permanecer em cativeiro durante 48 horas. Por outro lado, um guarda de segurança sul-africano que trabalhava para a coalizão foi assassinado, e seu tradutor iraquiano ficou ferido, no bairro sunita de Adhamiya, em Bagdá, segundo o ministro iraquiano da Saúde Pública, Khodayyir Abbas.
''O indivíduo assassinado hoje (ontem) em Bagdá é um sul-africano empregado como guarda de segurança pela coalizão. Ele protegia membros da coalizão que trabalhavam no ministério da Saúde Pública'', informou Abbas, sem revelar a identidade da vítima.
Paralelo a isso, cerca de mil partidários do líder radical xiita Moqtada al-Sadr se manifestaram em Basra, de luto após a série de atentados que deixaram na quarta-feira 68 mortos e 98 feridos nesta cidade e em Zubeir, 25 km ao sul de Basra.
''Temos provas do envolvimento das forças britânicas nestes ataques'', afirmou à AFP o xeque Abdel Sattar Bahadli, um representante de Al-Sadr, sem dar mais detalhes. De acordo com Bahadli, os britânicos são incapazes de garantir a segurança, e deveriam deixar a polícia local assumir esta tarefa. O representante lembrou que a cidade de Basra, dois milhões de habitantes em maioria xiitas, nunca sofreu atentados deste tipo antes de quarta-feira.
Os manifestantes carregavam bandeiras onde podia-se ler: ''Al-Qaeda é inocente dos atentados, o culpado é o criminoso Tony Blair'', o primeiro-ministro britânico.
''Al-Qaeda é uma manipulação americana para justificar a ocupação dos países islâmicos'', ''o povo e a polícia formam uma força às ordens da direção religiosa, que nunca se submeterá à ocupação'', podia-se ver em outras bandeiras.
Ontem também foram divulgadas imagens de marines americanos mortos em combate próximos a Bagdá.

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