Roma - A jornalista italiana Giuliana Sgrena foi mostrada em um vídeo pela televisão de seu país, ontem, pela primeira vez desde que foi sequestrada em Bagdá duas semanas atrás, e fez um apelo emocionado por sua vida. Soluçando e parecendo mais magra, Sgrena passou sua comovente mensagem primeiro em italiano, depois em francês, implorando que Roma retire suas tropas do Iraque e avisando aos estrangeiros, inclusive os jornalistas, que fiquem longe do Iraque.
Sgrena, uma veterana correspondente do Oriente Médio do jornal de esquerda Il Manifesto, foi sequestrada no dia 4 de fevereiro quando visitava uma mesquita de Bagdá. O vídeo mostra a mulher em frente a um letreiro vermelho com inscrições em árabe que diziam: ''Mujahedines sem fronteiras'' -grupo que a imprensa italiana afirmou ser desconhecido até o momento.
No apelo em italiano: ''Era o fim de janeiro. Estava lá para fazer uma matéria sobre a situação daquelas pessoas que morrem todos os dias. Milhares de pessoas estão na prisão, crianças e idosos. As mulheres estão sendo estupradas. Gente morre em todos os lugares. Eles não têm mais nada para comer, estão sem eletricidade e água''. ''Eu imploro a vocês, ao governo italiano e ao povo italiano, acabem com a ocupação... ''.
A jornalista também faz um apelo para o companheiro Pierre Scolari: ''Pierre, ajude-me! (neste momento Sgrena desaba em lágrimas). Por favor, mostre a todos as fotos das crianças atingidas por fragmentos de bombas''. ''Eu peço à minha família para me ajudar. Peço a todos, a todos que lutam contra a guerra, contra a ocupação... eu imploro a vocês, ajudem-me... este povo não deve continuar a sofrer deste jeito''.
''Saiam do Iraque. Ninguém mais dever vir a este país porque todos os estrangeiros, todos os italianos, são considerados inimigos''. ''Por favor, façam isso por mim...''.
O vídeo é interrompido rapidamente antes de a refém voltar a falar. ''Pierre, ajude-me, você, você que esteve sempre perto de mim, em todas os meus trabalhos. Eu te imploro, ajude-me, mostre as fotos que eu tirei dos iraquianos, das crianças com fragmentos de bombas... das mulheres''. ''Imploro a você... ajude-me (o choro fica forte, a voz embargada até parar) a pedir a retirada dos soldados, ajude-me a sair daqui...''.
''Eu peço a meu marido, peço a Pierre: ajude-me. Você sozinho pode fazer todo o possível para me ajudar a pedir a retirada das tropas do Iraque''. ''Conto com você... é a minha única esperança. Tem de me ajudar a pedir a saída das tropas, todos os italianos devem me ajudar. Todos que estão comigo neste trabalho devem me ajudar''.
''Minha vida depende de vocês... pressionem sobre o Governo e me ajudem!''.
''Estas pessoas não querem qualquer ocupação, estas pessoas não querem soldados, não querem estrangeiros''.
''Por favor, ajude a mim e a todo mundo a ser liberado daqui. Eu sempre lutei do seu lado (Pierre)!''.
O jornal em que Sgrena trabalha, Il Manifesto, se colocou radicalmente contra a decisão do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi de enviar três mil soldados ao Iraque em apoio a ocupação dos Estados Unidos.
A direita italiana aprovou ontem a prorrogação da missão de seus soldados no Iraque, algumas horas depois da transmissão de um apelo da refém Giuliana Sgrena pedindo a retirada das tropas italianas para salvar sua vida.

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