Associated Press
Depois de passar duas semanas escalando montanhas no frio e na chuva e vigiado de perto por insurgentes esquerdistas na Colômbia, Rafael Posada - libertado anteontem pelo Exército de Liberação Nacional (ELN) com outros 32 reféns - passou a dar um novo sentido ao aparentemente eterno conflito latino-americano. Posada estava entre os 160 paroquianos sequestrados na igreja La Maria, na extremidade sul de Cali, em 30 de maio, por membros do segundo maior grupo rebelde do país. A maioria desses presos foi libertada no mesmo dia depois de uma perseguição policial. Mas pelo menos 20 permanecem cativos.
Administrador do instituto de pesquisa agrícola CIAT, em Cali, Posada, de 50 anos, disse que sua experiência com os guerrilheiros - que em seus primeiros dias incluiu a procura por esconderijos para se proteger do fogo de artilharia do exército - lhe deu uma perspectiva nova sobre as quase quatro décadas da guerra baseada na luta de classe na Colômbia.
‘‘Eu sempre pensei que pagando meus impostos, trabalhando duro, sendo um bom pai, que esta guerra não era minha. Agora eu vejo que esta violência é a consequência de um modelo econômico que não funciona’’, disse Posada.
Ser apresentado à vida dos miseráveis habitantes da zona rural colombiana - ‘‘com o mesmo resfriado provocado pela falta de cobertores, dormindo no chão e tendo pouco para para comer’’ - ajudou Posada, que perdeu quatro quilos durante o cativeiro, a entender o que atrai os jovens camponeses aos grupos rebeldes.
O ELN está mantendo também 24 pessoas em selvas do norte distante, sequestradas de um vôo da Avianca em 12 de abril, que deveriam ser libertados hoje. Clérigos da Igreja Católica acusam o ELN de exigir o pagamento de resgate para alguns de seus cativos. ‘‘Eles querem ganhar dinheiro às custas da dor e do sofrimento dos reféns’’, disse ontem o arcebispo de Cali, Isaias Duarte Cancino.

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