De todas as reformas constitucionais submetidas ao Congresso, desde a posse do presidente Fernando Henrique Cardoso, há praticamente 3 anos, só uma foi aprovada, este ano. E precisamente a única que não fazia parte do rol das que foram produzidas na esteira do plano de estabilização. Enquanto as reformas da Previdência e administrativa continuavam se arrastando pelo Congresso, só ganhando um pouco mais de celeridade após a crise internacional que culminou com o pacote de novembro, a emenda que permite a reeleição dos chefes de Executivo foi debatida, votada, aprovada e promulgada com enorme rapidez. Na esteira disto, houve também muitas denúncias sobre corrupção, alguns parlamentares foram acusados de venda de votos, mas, como de hábito, nada de concreto aconteceu. De real, mesmo, ficou a possibilidade para o presidente Fernando Henrique Cardoso se lançar à própria sucessão, o mesmo ocorrendo em relação aos governadores e prefeitos.
Como complemento, o Congresso também acabou aprovando, com sanção do sr. Marco Maciel, que ocupava interinamente a presidência, em virtude de viagem do titular, a lei eleitoral para o próximo ano, com quase tudo o que o presidente pretendia. A campanha eleitoral no rádio e na TV será mais curta em 98 - 45 dias contra os 60 de 1994, como desejavam o presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores candidatos à reeleição. Eles, porém, não poderão participar de inaugurações de obras públicas a três meses do pleito. Marco Maciel, que assinou a lei no lugar de FHC, em viagem oficial a Santiago do Chile, vetou dois artigos: o que permitia aos partidos acesso às pesquisas eleitorais antes da divulgação e o que previa eleição especial para prefeito e vereadores.
O governo foi vitorioso com a aprovação da lei. Na essência, as novas normas beneficiam a candidatura de Fernando Henrique. Além de uma campanha mais curta, ele ganhou o direito de usar o Boeing oficial durante seus deslocamentos pelos Estados, desde que o partido ou coligação cubra os gastos do transporte - os governadores não ganharam a mesma regalia. Também poderá usar a residência oficial em Brasília para encontros políticos.
O governo venceu briga com o Congresso, ao manter os valores do fundo partidário (R$ 42 milhões em 1998). Os parlamentares desconsideraram votos em branco na contagem do coeficiente eleitoral, o que favoreceria os partidos pequenos, e decidiram que a campanha de rua em 98 terá duração de 90 dias.
E será a primeira campanha eleitoral do Brasil sob o signo da reeleição dando ao presidente e aos governadores a possibilidade de suceder a si próprios.

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