Recessão sul-coreana vai à prova das urnas
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segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Frederic Garlan France Presse Seul 
Tendo a economia em pedaços, os sul-coreanos elegerão na próxima quinta-feira seu novo presidente, com a humilhação de terem pedido ajuda financeira às instituições internacionais e sem ter-se livrado de suas frustrações numa campanha eleitoral tediosa.
O modelo coreano, que permitiu a um país superpovoado e desprovido de recursos naturais situar-se em trinta anos entre as potências mundiais, desintegrou-se no dia 21 de novembro passado, quando Seul resignou-se a pedir ajuda ao FMI para evitar a suspensão de pagamentos.
Desde seu pique de agosto de 1994, a Bolsa de Seul perdeu 69% de sua capitalização. Em dois meses, a moeda nacional, o won, perdeu 50% em relação ao dólar. O desabamento do won também custou ao país seu posto de 11ª potência econômica mundial, de que se orgulhava tanto. A Coréia do Sul ronda a posição número 20, ao nível da Argentina.
Os coreanos lembravam com euforia que sozinhos tinham conseguido situar-se entre as nações industrializadas. Muito mais rápido do que o eterno rival japonês, de quem Seul copiou o modo de desenvolvimento.
RecessãoMas as concessões arrancadas pelo FMI puseram fim às fórmulas que fizeram do País um dos primeiros produtores mundiais de automóveis, aço, componentes eletrônicos e superpetroleiros. Acabaram-se os financiamentos. Uns dez deles, entre os quais se encontram Kia (automóveis), Hanbo e Sammi (aço), Dainong (distribuição) e Halla (indústria pesada), já estão em bancarrota.
Os prováveis sobreviventes, Daewoo, Hyundai e Samsung, não poderão continuar mantendo dívidas entre 5 e 6 vezes a mais que seus bolsos. Terão de racionalizar suas estruturas, com risco de ceder ou fechar certas filiais deficitárias.
Submetendo-se às exigências do FMI, o governo sul-coreano suspendeu 14 bancos de negócios, em razão da importância de seus empréstimos irrecuperáveis, dando-lhes um mês para adaptar-se ou desaparecer.


