France Presse




AlegriaCom aparência serena, João Paulo II chega a Beirute para sua visita pastoral de 32 horas. Na foto de baixo, jovens, agitando bandeiras do Líbano e do Vaticano, recebem com muita efusão o Sumo Pontífice da Igreja Católica

Os libaneses, concentrados em ambos os lados do itinerário feito pelo Papa João Paulo II entre o aeroporto e o palácio presidencial de Baabda, receberam o Santo Padre de forma calorosa. O impressionante esquema de segurança, com homens do exército e agentes à paisana entre o público que aguardava a chegada do líder da Igreja Católica, não conseguiu abafar os gritos a favor do ex-líder das milícias cristãs Samir Geagea, que sexta-feira foi condenado pela terceira vez à pena capital, e do general Michel Aun, exilado na França.
O Papa foi recebido no aeroporto de Beirute pelo Chefe de Estado Elias Hraui (cristão maronita), pelo Primeiro-Ministro Rafic Hariri (muçulmano sunita) e por todas as autoridades civis e religiosas do país, antes de subir no ‘‘papamóvel’’ junto com o cardeal Sfeir, chefe da igreja maronita, enquanto os sinos do Líbano repicavam em sinal de boas-vindas.
Durante o percurso pela estrada que atravessa os bairos xiita e sunita no sul de Beirute, jovens muçulmanos, usando camisetas e gorros com a efígie do Papa, esperavam a passagem do Sumo Pontífice sob a vigilância estrita das forças de segurança.
O cortejo papal atravessou rapidamente a avenida do aeroporto, enfeitada com as cores do Líbano e do Vaticano, passando diante dos retratos gigantescos de João Paulo II e do aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica do Irã.
Ao entrar no bairro do Museu, na antiga linha de demarcação dos setores cristão e muçulmano de Beirute, milhares de cristãos, de todas as idades, em um clima muito mais animado, deram vivas ao Papa.
No bairro popular de Furn al-Chebak, a população jogava arroz e flores na direção do cortejo e agitava milhares de bandeirolas libanesas e vaticanas.
Apelo Em seu primeiro discurso em Beirute, o Papa João Paulo II pediu ‘‘lugar para cada cidadão’’ no Líbano e reclamou respeito e equilíbrio entre as diferentes comunidades libanesas dentro de um Estado reconhecido por todos.
‘‘Neste novo Líbano que estais construindo, é preciso dar um lugar para cada cidadão, especialmente para quem, animado por um verdadeiro sentimento patriótico, deseja participar na ação política ou na vida econômica’’, disse o Papa, aludindo claramente aos cristãos, que se sentem marginalizados desde o final da guerra civil de 1975-90.
‘‘Durante os anos de guerra, acompanhei atentamente, com toda a Igreja, os momentos difíceis do povo libanês e me solidarizei orando por seus sofrimentos’’, acrescentou o Papa.
O Papa exortou todos os libaneses a se comprometerem com a paz, reconciliação e fraternidade. Evocando o Sínodo especial dedicado ao Líbano em 1995, no Vaticano, o Soberano Pontífice indicou que a Exortação Apostólica pós-sinodal, ‘‘é uma esperança nova para o Líbano’’. ‘‘Esse documento é um convite a todos os libaneses para que iniciem, confiantes, um novo capítulo em sua história’’, concluiu o Papa.

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