MOÇAMBIQUE Recém-nascido é resgatado de árvore France PresseFLAGELADOSMilhares de pessoas, há dias sem comida, aguardam salvamento em árvores, outras estão isoladas com água pela cintura Associated Press De Maputo Depois de passar quatro dias se equilibrando em uma casa de árvore improvisada poucos metros acima do nível das águas, Sophia Pedro deu à luz uma menina ontem, uma hora antes de um helicóptero levar mãe e filha a um local seguro. Milhares de pessoas estão desaparecidas e possivelmente mortas nas enchentes que devastaram um dos países mais pobres do mundo. Outros milhares de moçambicanos estavam isolados em árvores, telhados ou pequenas faixas de terra, às vezes com a água já pela cintura. ‘‘Falamos sobre cerca de 1 milhão de pessoas em movimento por enquanto’’, disse a jornalistas o presidente Joaquim Chissano, oferecendo uma estimativa de pessoas desabrigadas pelas inundações. Em seguida, ele partiu para inspecionar as regiões devastadas pelas enchentes. O tenente-coronel Jaco Klopper, comandante das operações de resgate sul-africanas, disse que seriam necessários mais de quatro dias para a conclusão das operações de resgate só na província sulista de Gaza. Milhares de outras pessoas estão isoladas mais ao norte, às margens do Vale do Rio Save. Sophia Pedro, de 26 anos, e sua filha Rositha foram duas das 915 pessoas resgatadas no centro de Moçambique ontem por helicópteros do exército da África do Sul. Rositha nasceu quando um helicóptero de resgate se aproximava para levar as oito pessoas que estavam sobre a árvore para um local seguro. O piloto do helicóptero, Chris Berlyn, disse que Stewart Back, um membro de sua tripulação, foi suspenso e rebaixado até a árvore e descobriu que a mulher grávida estava prestes a dar à luz. Ele disse que a menina nasceu dois minutos mais tarde. Berlyn conduziu a aeronave até uma base para pegar Godfrey Nongovela, um médico, que junto com outros membros da tripulação deixou a mulher e a criança em condições seguras no helicóptero. Sophia Pedro estava exausta e disse estar feliz por ter sido resgatada ao lado de outras três pessoas de sua família. No entanto, ela informou que sua avó idosa morreu na enchente. Enfermeiras se reuniram em volta de Rositha e disseram que a criança, com dois quilos, parece estar bem de saúde. Mais de 6 mil pessoas foram resgatadas nos últimos dias. Centenas de milhares de habitantes de Moçambique estão desabrigados, mas em condições seguras em locais remotos e altos. Outras dezenas de milhares de pessoas buscam abrigo em campos de refugiados criados por agências humanitárias em torno da área devastada. A maioria dos desabrigados passou dias sem água nem comida. Funcionários humanitários estimam que 800 mil pessoas ou mais correm o risco de ser afetadas por surtos de malária ou cólera. Cerca de 100 casos de malária e diarréia são registrados diariamente nos centros onde os refugiados são mantidos, disse Alfredo Chioze, da Cruz Vermelha de Moçambique. A South African Broadcasting Corp. informou ontem que cerca de 40 casos de cólera foram diagnosticados.