Recebida com cautela a decisão sobre Timor
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Reuters 
Depois de 23 anos de uma administração brutal e sangrenta, a Indonésia concordou em dar aos timorenses aquilo que por tanto tempo eles lutaram - um voto sobre o seu futuro. Mas havia pouca celebração ontem na ex-colônia portuguesa. Quinta-feira, na sede das Nações Unidas em Nova York, Lisboa e Jacarta concordaram que a população de Timor Leste decidirá no voto se aceita o plano que lhe concede ampla autonomia em relação à Indonésia. O acordo foi anunciado pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
Em Dili, capital do Timor Leste, os residentes receberam a informação de Nova York com cautela. Líderes pró-independência expressaram ceticismo e legalistas pró-Jacarta demonstraram temor de uma possível volta da guerra civil.
O líder independentista Xanana Gusmão comemorou a realização do plebiscito, mas lembrou que vários detalhes do acordo ainda não foram divulgados. É o que nós tanto procuramos - um processo de consulta democrático, disse ele. Mas não sabemos nada ainda porque não conhecemos os detalhes de seu mecanismo.
Os detalhes logísticos da votação, da qual poderiam participar também os timorenses que moram em outros países, ainda não foram fechados pelos dois países que discutem o futuro do Timor Leste.
A data da consulta e seus respectivos procedimentos deverão ser determinados no próximo mês em Nova York, por representantes de Portugal, que governou o território até 1975, e Indonésia, que o anexou no ano seguinte.
O líder da resistência e Prêmio Nobel da paz, José Ramos-Horta, que se auto-exilou na Austrália, afirmou ontem que 90% dos timorenses rejeitariam o poder indonésio sobre o território caso lhes fosse permitida uma escolha livre sem a sombra de uma forte presença militar. Já o líder pró-Jacarta Filomeno de Jesus Hornay acredita que o voto direto poderia dividir ainda mais o já traumatizado território.


