Trípoli - Líderes rebeldes da Líbia, que dominaram ontem a maior parte da capital do país, Trípoli, proclamaram o fim do regime de Muamar Kadafi, que governou o país com mão de ferro por mais de 40 anos. Segundo o líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafah Abdelkhalil, os rebeldes ainda desconhecem o paradeiro de Kadafi e alguns setores da capital ainda não estão sob controle dos insurgentes, incluindo o que abriga a residência do coronel líbio.
''Espero que ele seja capturado vivo, para que receba um julgamento justo'', disse Abdelkhalil durante uma entrevista coletiva em Benghazi, capital dos rebeldes no leste da Líbia.
O presidente americano, Barack Obama e membros da União Europeia fizeram coro aos rebeldes, afirmando que a melhor saída para Kadafi neste momento seria entregar-se. Já contando com uma queda do governo de Kadafi, Obama prometeu que Washington será ''um amigo e parceiro'' do país no futuro e pediu ''uma transição inclusiva que conduza a uma Líbia democrática''. ''O regime de Kadhafi está chegando ao fim. O futuro da Líbia está nas mãos de seu povo'', declarou o presidente americano.
Em Trípoli, os rebeldes chegaram à Praça Verde - lugar simbólico no qual os partidários do regime costumavam reunir-se - e a rebatizaram como ''Praça dos Mártires''. Os rebeldes também controlaram a sede da televisão estatal, que não transmitiu sua programação diária, afirmou de Benghazi o porta-voz militar da rebelião, Mohamed Zawiwa.
No Cairo, um representante do CNT afirmou que o país não autorizará a instalação de bases militares da Otan após a saída do coronel Kadafi, segundo a agência de notícias egípcia Mena. ''A Líbia é uma nação árabe e islâmica antes da Otan e seguirá sendo depois da Otan'', declarou o enviado especial do CNT na Liga Árabe, Abdel Moneim al Huweini. Segundo ele, ''os líbios se rebelaram contra os ocidentais em 1970 e não existirão bases que não sejam líbias''.
Segundo o chanceler italiano, Franco Frattini, o regime do coronel Kadafi controlava nesta segunda-feira apenas ''entre 10 e 15%'' de Trípoli. Uma fonte diplomática que pediu anonimato afirmou que Kadafi ainda estaria em sua residência do bairro de Bab al-Aziziya em Trípoli.
Em Benghazi, dezenas de moradores tomaram as ruas da ''capital'' dos rebeldes no leste da Líbia para celebrar o fim próximo do regime. Apesar do sucesso aparente dos rebeldes, o porta-voz do regime, Mussa Ibrahim, afirmou que ''o regime continua sendo forte e milhares de voluntários e soldados estão prontos para a batalha''. De acordo com ele, 1.300 pessoas morreram nas últimas 24 horas em Trípoli, mas não foi possível confirmar o balanço.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) confirmou que Seif al-Islam, o filho de Kadhafi que viveu e estudo em Londres, foi detido. Segundo a imprensa, outro filho, Mohamed Kadhafi, estaria encurralado dentro de casa.

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