Rebeldes zairenses aceitam trégua
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Agência Estado 
Christopher Simon/France PresseRefugiados que escaparam de Kisangani chegam em barcos à porta de KinshasaLOMÉ - O governo do Zaire e os rebeldes da Aliança de Forças Democráticas de Libertação do Congo-Zaire (AFDLCZ) aceitaram ontem a decretação de um cessar-fogo e o estabelecimento de negociações diretas a partir de segunda-feira, segundo comunicado oficial da Organização da Unidade Africana (OUA), que se reuniu extraordinariamente em Lomé, Capital de Togo, para debater uma solução para o conflito.
O início das conversações foi confirmado em Goma, pelo comando da AFDLCZ. Os delegados do governo aceitaram todas as nossas condições para estabelecer um diálogo de paz (que incluiria a renúncia incondicional do presidente Mobutu Sese Seko), afirmou um porta-voz dos guerrilheiros.
Mas alguns líderes rebeldes duvidam do poder de decisão da delegação que representou Mobutu na conferência de Lomé. Por isso, o líder guerrilheiro Laurent-Désiré Kabila não deverá participar da fase inicial das negociações, que não tem ainda um local determinado. Kabila permanecerá em Goma até que se esclareçam as coisas, concluiu o porta-voz.
CriançasMais de 2 mil menores ruandeses não acompanhados se dirigem de Ubundu a Kisangani (Leste do Zaire) entre a massa de dezenas de milhares de refugiados hutus ruandeses que já não sabem para onde ir, informaram ontem fontes humanitárias. Eles percorrem o caminho que separa Lula e Ubundu (a 150 km de Kisangani), localidade onde na semana passada eram contados entre 75 mil e 100 mil deslocados, fugidos dos campos do Leste ante o avanço da rebelião zairense.
A maioria se encontra entre 80 e 90 km de Kisangani e, segundo o Acnur, sem dúvida voltarão para Ubundu, já que a rebelião impede que transitem por Kisangani antes de ser repatriados. Segundo o Alto Comissariado, os refugiados, que estão há cinco meses vagando de um acampamento a outro, desejam agora voltar a Ruanda.


