Um grupo rebelde colocou o primeiro-ministro das Ilhas Salomão sob prisão domiciliar, em tentativa de golpe por motivos étnicos, e cortou as comunicações do país com o exterior.
Os rebeldes, que pertencem à milícia étnica Águias de Malaitá e são liderados pelo advogado Andrew Nori, assumiram o controle de várias instalações estratégicas das ilhas e de sua capital, Honiara.
Segundo os funcionários neozelandeses, o resto do governo parece continuar no poder e tentará discutir com os rebeldes o futuro do primeiro-ministro Bartholomew Ulufa’alu, que teria oferecido sua renúncia na semana passada.
O governo neozelandês diz que a única pretensão dos rebeldes é a demissão do primeiro-ministro para evitar a desintegração do país. Os rebeldes também lançaram um ultimato exigindo o pagamento de uma indenização aos malaitianos cujas propriedades foram destruídas nos últimos meses pelas milícias de Isatabu.
A tentativa de golpe marca o ponto culminante de um conflito étnico entre os Combatentes pela Liberdade de Isatabu, da milícia oriunda da ilha de Guadalcanal e os imigrantes da ilha de Malaitá, segunda mais importante ilha deste país da Oceania.
O conflito já atingiu proporções de guerra civil, obrigando mais de 20 mil dos 300 mil habitantes das Ilhas Salomão a abandonar as ilhas e provocando a morte de 60 pessoas em 1999.
O golpe de Estado se inspira abertamente no movimento dos rebeldes de Fiji, que desde 19 de maio mantêm o primeiro-ministro de origem indiana Mahendra Chaudhry e todos os seus ministros detidos na sede do Parlamento na capital, e exigem maior poder político para os fijianos de origem indígena.

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